segunda-feira, junho 21, 2021
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Arte nos jardins ou um artista nos parques?

Por Angelica Schianta

“Marx era um verdadeiro gênio”, assim classificou o curador William Howard Adams sobre a obra de Roberto Burle Marx, e ainda acrescentou “ Ele tratava o design de paisagens como um parceiro ideal da arquitetura, não como pano de fundo ou decoração”. Lembramos que o currículo desse paisagista não caberia em poucas páginas, contudo destacamos: O complexo da Pampulha, em Belo Horizonte, o Eixo Monumental, em Brasília, o Museu de Arte Moderna do Rio, no Rio de Janeiro. Colocou a sua assinatura no projeto paisagístico do Parque do Ibirapuera, em São Paulo, e no Parque do Flamengo, no Rio de Janeiro.

Várias instituições internacionais reconheceram o seu trabalho e talento criativo. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Academia Real de Belas Artes de Haia, na Holanda, e do Royal College of Arts, de Londres. Uma vasta obra, com projetos espalhados por 17 países, a maioria em áreas públicas, livres, para quem quiser saber da obra de um dos artistas brasileiros mais criativos e de destaque do século 20, está em exposição para visitação em diversas cidades ao redor do mundo, claro que somente visitá-las em tempos “normais”, querido leitor.

Segundo Burle, – “ O paisagismo era a organização planejada de elementos naturais: uma intervenção da cultura humana no mundo existente”. Ele considerava não apenas as plantas para formar um jardim, mas também: pedras, lagos, cursos e quedas d’água, os animais que ali vivessem, edificações, esculturas e pisos em pedra portuguesa, entre outros itens.

Portanto ao visitarmos uma área aberta livre, que recebeu um tratamento paisagístico, quer seja uma praça, um parque, um aterro, uma larga avenida, percebam o trabalho original, instigante e criativo do artista, qual é a sua mensagem, qual foi a cartela de cores utilizada, qual escala se formou pelos diversos portes das espécies vegetais ali plantadas, percebendo o cheiro e as texturas presentes em toda parte. Treinando assim o nosso olhar, portanto os sentidos sensoriais, perceberemos uma “tela pintada pela natureza”, um refúgio de encanto, paz, conexão, beleza.

Então, caro leitor, do Som de Papo, você já se imaginou nessa percepção de brisas, cores, sabores, visuais em um parque? Quais lugares ou sensações você destacaria? Dê a sua opinião, sua participação é importante, bem como sugestões de temas para nossa coluna. Boa semana a todos, até a próxima!

Angelica Schianta é Artista Plástica, Arquiteta, Urbanista e Conservadora de Bens Culturais.
@aschianta
@estudioturmalina

Legenda das imagens;
Margaret Mee, aquarela, “heliconia burle marxii” I Foto: G1
Parque do Ibirapuera I Foto: São Paulo Infoco.
Roberto Burle Marx I Foto: Viva Decora

Fontes de pesquisa:

CAVALCANTI, Lauro, EL – DAHDAH, Farès. Roberto Burle Marx, a permanência do instável 100 ANOS, Rio de Janeiro: Ed. ROCCO, 2009.

MACEDO, Silvio Soares, Parques Urbanos no Brasil, São Paulo: Ed. Da Universidade de São Paulo, 2010.

www.almanaquebrasil.com.br

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