Por José Carlos da Cruz
EU
Aristóteles dizia que apenas uma mente educada é capaz de compreender um pensamento divergente do seu, sem ter que aceitá-lo.
O indivíduo só se reconhece a partir do outro, então a relação do eu com outro é fundamental para constituição da identidade, já dizia o Deus cristão: não é bom que o homem (ser humano) esteja só, emocionalmente, socialmente e pessoalmente, resumindo, em todos os sentidos.
O objetivo deste artigo é reforçar a importância da relação entre indivíduos, contradizendo a perspectiva existencial da atualidade, que advoga a individualização e afirmação do eu.
Nesta relação, fica exposto duas direções, aprender com o outro ou vencê-lo; ao tolo precisa impor suas ideias e vencer discussões, mas o sábio, escolhe compreender o pensamento alheio, não se sente ameaçado com o contraditório.
A individuação separa o eu da soberba, compreende que as partes cooperam mutuamente para o desenvolvimento, até porque, a personalidade é uma construção relacional, sendo assim, o self, o eu real, só se manifesta no contato com o outro.
Nesta relação, o eu individual é reconhecido, e é necessário que a individualidade de cada seja percebida e respeitada, onde o outro seja valorizado sem que o eu seja anulado.
Quando a relação tem essas características, desenvolve-se uma escuta sem reatividade, um entendimento sem apego, um diálogo flexível; o que propicia a interpretação do comportamento, do pensamento do outro, livre de preconceito ou de qualquer ambiguidade.
Nesta relação, o eu e o outro, estão em pé de igualdade, é paradoxal, mas real, ambos intencionalmente, se prestam a falar e a ouvir, dialogar, e se necessário for, dispensam o contraditório, priorizando aquilo que completa um ao outro.
Neste momento, a frase de Aristóteles cria força, porque é reservado o direito do outro ter o pensamento, e é dado ao eu, o direito de rejeitar; este processo, é uma via de mão dupla.
Diante de tudo, projeto o meu eu no outro e vice-versa, o que determina nossa existência, e o princípio de tudo isso é a palavra proferida, como diz Silva (2021, p.66) “a palavra faz com que uma pessoa saia de si em direção ao outro, ela é pejada de reciprocidade …É como se ao sair de si e ir em direção ao outro chegasse mais próximo do seu ser. Sendo assim, é palavra que gera relação”.
Valorize as relações, sem anular a si mesmo, viva o que gosta, quer e busca, sem exaltar em demasia o outro, e por mais contraditório que pareça, elas dizem muito sobre quem você é, e define sua personalidade.
Referência
Silva M.R. (2021) – EU E TU COMO PROPOSTA DIALÓGICA EM MARTIN BUBER; PROMETHEUS – N. 35 – janeiro-abril 2021 -E-ISSN: 2176-5960



