Por Ramon Henrique
Não é só um sinal gráfico; é um convite aberto para que a gente reconheça que a diversidade de identidades, orientações e expressões vai muito além das letras que já foram colocadas ali.
Quando a gente vê aquele pequeno símbolo, ele funciona como um ponto de interrogação, um convite à curiosidade, e, ao mesmo tempo, como um abraço que diz: “Aqui tem espaço pra quem você for, sem precisar se encaixar em caixinhas fechadas”.
Primeiro, vale lembrar que a sigla original LGB (lesbianas, gays e bisexuais) já nasceu da necessidade de dar visibilidade a grupos que, por muito tempo, foram apagados ou criminalizados. Cada letra acrescentada ao longo das décadas T (trans), Q (queer ou questionando), I (intersex), A (asexual ou agênico) – representou uma luta, um reconhecimento e, sobretudo, a ampliação de um espaço que antes era extremamente limitado.
Quando chegamos ao “+”, a história não para; ela se abre.
O “+” simboliza todas as identidades que ainda não têm uma letra própria na sigla, seja porque são recém-reconhecidas, porque ainda não há consenso sobre a melhor forma de representá‑las, ou simplesmente porque a linguagem humana é dinâmica e sempre está evoluindo.
É o lugar onde entram, por exemplo, as pessoas não‑binárias que se identificam como gender‑fluid, gender‑queer, bigender, ou ainda aquelas que se reconhecem como demisexuais, pansexuais, Two‑Spirit, entre tantas outras formas de viver a sexualidade e o gênero.
Cada uma dessas experiências tem sua própria história, seus próprios desafios e suas próprias alegrias, e todas merecem ser vistas e celebradas.
Além de ampliar o espectro de identidades, o “+” também funciona como um lembrete de que a luta pela igualdade não é um projeto estático.
Ela requer constante revisão, diálogo e, sobretudo, humildade da nossa parte. Quando alguém pergunta “mas por que o ‘+’?” a resposta mais honesta é: porque ainda há quem não se reconheça nas letras já existentes, e porque a nossa responsabilidade é garantir que ninguém seja deixado de fora só porque ainda não encontramos a palavra certa para descrever sua experiência. O “+” é, portanto, um compromisso de escuta e de adaptação.
Outro ponto importante é que o “+” não dilui ou apaga as lutas específicas de cada grupo representado pelas letras.
Pelo contrário, ele as reforça, mostrando que a solidariedade entre as diferentes comunidades é mais forte quando reconhecemos que nossas batalhas estão interligadas.
Quando uma pessoa trans enfrenta transfobia, isso afeta também a comunidade gay, bisexual, queer e todas as outras que compõem o mosaico LGBTQIA+. O “+” nos lembra que a luta é coletiva, que a vitória de um é a vitória de todos.
Na prática, o “+” se manifesta em ações simples, mas poderosas: incluir nos formulários de cadastro a opção “outro” ou “prefiro não especificar”; garantir que campanhas publicitárias representem uma variedade de corpos, expressões e orientações; criar políticas de inclusão nas empresas que considerem necessidades específicas de pessoas intersex, asexuais, não‑binárias, entre outras.
Cada gesto, por menor que pareça, ajuda a transformar o “+” de um símbolo abstrato em realidade concreta.
Por fim, o “+” também pode ser visto como um convite à criatividade. Ele nos desafia a pensar além das categorias que nos foram ensinadas, a brincar com pronomes, a reinventar a linguagem e a celebrar a fluidez que faz parte da experiência humana.
É um lembrete de que, embora existam palavras para nos definir, elas nunca são suficientes para capturar a totalidade de quem somos.
E está tudo bem o “+” nos dá a liberdade de ser, de mudar, de evoluir.
Então, da próxima vez que você vir a sigla LGBTQIA+ e aquele pequeno sinal de mais no final, lembre‑se de que ele representa todas as vozes que ainda não foram nomeadas, todas as histórias que ainda estão por ser contadas e todo o espaço que ainda temos para crescer juntos.
É um símbolo de esperança, de inclusão e de um futuro onde a única coisa que importa é ser quem você realmente é.
Texto: Ramon Henrique
Instagram:@ramonhenriquee
Crédito Fotográfico: coletivo de gênero
Fonte: UOL/Terra/Yahoo/revista Veja



