Por Larissa França
Nem todo sofrimento dentro de um relacionamento acontece porque falta amor. Muitas vezes, o que falta é clareza emocional.
Há pessoas que mudam de parceiro, de história, de cenário mas vivem sensações muito parecidas: abandono, insegurança, ciúme excessivo, traições repetidas ou a sensação constante de não serem escolhidas. Quando isso acontece, não estamos falando de azar ou de más escolhas isoladas, mas de padrões relacionais.
Desde cedo, aprendemos a nos vincular a partir das experiências que tivemos. O modo como fomos cuidados, vistos, ignorados ou exigidos constrói uma espécie de “mapa interno” do amor. Esse mapa influencia o que reconhecemos como vínculo, mesmo quando ele machuca.
Relações feridas costumam confundir amor com dor, intensidade com afeto e permanência com prova de valor. Assim, o sofrimento passa a ser tolerado em nome da esperança de que, em algum momento, o outro mudará ou finalmente oferecerá aquilo que sempre faltou.
A repetição desses vínculos não é consciente. Ela nasce de tentativas emocionais antigas de reparação: ser amado, reconhecido ou escolhido de um jeito que não foi possível antes. O problema é que, ao tentar curar feridas antigas dentro de relações adoecidas, a pessoa acaba se afastando de si mesma.
Olhar para essas repetições não é um exercício de culpa, mas de responsabilidade. Quando entendemos nossos padrões, deixamos de lutar contra a dor e começamos a escutá-la. É nesse ponto que o vínculo pode deixar de adoecer e passar a se transformar.
Se você se reconheceu em algum ponto deste texto, talvez não seja o momento de mudar de relacionamento, mas de olhar com mais cuidado para a forma como você se vincula. Relações feridas não pedem decisões impulsivas, pedem compreensão.
Buscar clareza emocional seja por meio da escuta, da reflexão ou do acompanhamento psicológico é um passo importante para interromper repetições que machucam. Quando entendemos nossa história emocional, passamos a escolher com mais consciência e menos dor.
Onde há dor, há algo pedindo clareza
Psicóloga Larissa França
Atuação clínica com foco em vínculos, luto e relações feridas, a partir de uma abordagem sistêmica, promovendo clareza emocional e desenvolvimento pessoal.
Instagram: @larifranca.psique
Agendamentos: (75) 98704-5012
Fontes consultadas
Apego, de John Bowlby
O Corpo Guarda as Marcas, de Bessel van der Kolk
Amar ou Depender?, de Walter Riso
Fonte de Imagem:: ilustrativa | Unsplash



