Por Aíres Lacerda
@aireslacerda.terapeuta
Leitura recomendável para todas as idades
Durante décadas, emoções foram tratadas como algo secundário quando o assunto era saúde. Expressões como “controle emocional” muitas vezes significaram, na prática, silenciar sentimentos. Hoje, porém, a ciência tem demonstrado que reprimir emoções não as elimina, apenas desloca seus efeitos para o corpo.
A pergunta que especialistas em saúde emocional e neurociência vêm investigando é direta: emoções reprimidas podem contribuir para o adoecimento físico?
As evidências apontam que sim, especialmente quando a repressão se torna crônica.
Emoções não são abstratas: elas têm impacto biológico
Emoções envolvem respostas fisiológicas complexas. Elas ativam áreas cerebrais, o sistema nervoso autônomo, o eixo do estresse (HPA) e influenciam diretamente a liberação hormonal.
Quando sentimentos como medo, raiva ou tristeza são constantemente inibidos, o organismo tende a permanecer em estado prolongado de alerta, o que está associado ao aumento do cortisol, dificuldade de relaxamento e desgaste sistêmico.
Pesquisas mostram que o estresse emocional crônico pode contribuir para:
Distúrbios do sono
Alterações digestivas
Inflamação de baixo grau
Queda da imunidade
Dores musculares persistentes
Fadiga sem causa clínica evidente
O corpo passa a responder ao que não encontra espaço de elaboração emocional.
Por isso é muito importante saber distinguir entre regulação de repressão emocional e entender a relação entre emoções reprimidas e sintomas psicossomáticos
A ciência faz uma distinção importante entre reprimir e regular emoções.
Repressão envolve negar ou evitar sentimentos. Regulação envolve reconhecê-los e permitir que o sistema nervoso retorne ao equilíbrio após a ativação emocional.
Segundo estudos em neurociência afetiva, a repressão emocional exige alto custo fisiológico, enquanto a regulação está associada a melhor adaptação ao estresse e menor impacto inflamatório no organismo.
O campo da psicossomática investiga como conflitos emocionais não elaborados podem se manifestar por meio de sintomas físicos, sem que isso signifique ausência de base orgânica.
Entre os quadros mais frequentemente associados a padrões de repressão emocional estão:
Ansiedade e depressão
Síndrome do intestino irritável
Cefaleias tensionais
Bruxismo
Tensão muscular crônica
Fadiga persistente
Esses sintomas não indicam “fraqueza emocional”, mas uma sobrecarga do sistema de adaptação do corpo.
Não Reprima suas emoções:
No curto prazo, suprimir emoções pode dar a sensação de controle e funcionalidade. A pessoa segue trabalhando, cuidando da rotina e atendendo demandas externas.
Com o tempo, porém, surgem sinais de desgaste:
Irritabilidade constante
Sensação de vazio ou desconexão
Dificuldade de sentir prazer
Cansaço que não melhora com descanso
O organismo passa a operar em modo de sobrevivência, não de equilíbrio.
Mas que bom que a ciência aponta o caminho de prevenção!
Pesquisas atuais em saúde emocional indicam que a prevenção passa pela autorregulação do sistema nervoso, não pela eliminação das emoções.
Entre as estratégias associadas a melhor saúde física e emocional estão:
Reconhecimento consciente das emoções
Redução do estresse crônico
Integração entre corpo e mente
Espaços seguros de escuta e elaboração emocional
Abordagens que respeitam a individualidade biológica e emocional
A capacidade de sentir, processar e se reorganizar emocionalmente é considerada um marcador importante de saúde.
Emoções não expressas não desaparecem:
A ciência tem sido clara: emoções não elaboradas não somem com o tempo. Elas se acumulam, se deslocam e podem se manifestar de outras formas.
Cuidar da saúde emocional não é exagero nem fragilidade, é uma medida preventiva que impacta diretamente a saúde física.
Para reflexão:
Uma pergunta simples pode abrir espaço para a consciência:
“Quais emoções tenho evitado sentir, e como meu corpo tem reagido a isso?”
Meu trabalho integra Terapias Integrativas, Reprogramação Emocional e estratégias de regulação do sistema nervoso, com foco na prevenção e no cuidado global da saúde física e emocional.
Emoções fazem parte do corpo.
Cuidar delas também é cuidar da saúde.
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Referências
Sapolsky, R. Why Zebras Don’t Get Ulcers. Holt Paperbacks, 2004.
Gross, J. J. Emotion regulation: Conceptual and empirical foundations. Handbook of Emotion Regulation, 2014.
Porges, S. The Polyvagal Theory. Norton, 2011.
Taylor, S. E. et al. Biobehavioral responses to stress. Psychological Review, 2000.
World Health Organization (WHO). Stress and Mental Health, 2022.
Estudos sobre estresse crônico, repressão emocional e psicossomática – PubMed, 2019–2024



