Por Dr. Julio Cesar
Médico Veterinário e Especialista em Estética Animal
@nagashimajulio
A volta às aulas marca um novo ciclo para muitas famílias. Horários mudam, a casa fica mais silenciosa e a rotina se reorganiza. O que muitos tutores não percebem é que essa mudança também impacta — e muito — a saúde emocional dos pets.
Cães e gatos são animais extremamente ligados à rotina e à presença da família. Quando essa dinâmica muda de forma repentina, eles podem apresentar sinais claros (e outros bem sutis) de estresse emocional.
Como médico veterinário, observo com frequência esse tipo de queixa após o período de férias.
Por que a volta às aulas afeta tanto os pets?
Durante as férias, o pet costuma ter:
Mais companhia
Mais estímulos
Mais interação
Com o retorno às aulas, ele passa a:
Ficar mais tempo sozinho
Ter menos atividades
Perder horários previsíveis
Essa quebra de rotina pode gerar insegurança emocional, principalmente em animais mais sensíveis ou muito apegados aos tutores.
Principais sinais de estresse emocional
Nem sempre o estresse aparece de forma óbvia. Alguns sinais merecem atenção:
Vocalização excessiva (latidos, miados constantes)
Destruição de objetos
Alterações no apetite
Apatia ou tristeza
Lambedura excessiva
Mudanças no sono
Eliminação fora do local habitual
Esses comportamentos não devem ser interpretados como “birra” ou “desobediência”, mas como um pedido de ajuda.
Ansiedade por separação
Um quadro comum nesse período é a ansiedade por separação, especialmente em cães. O pet passa a demonstrar desconforto intenso quando fica sozinho, podendo apresentar comportamentos compulsivos e sofrimento emocional.
Quanto mais abrupta a mudança de rotina, maior o risco.
A importância da previsibilidade
Pets se sentem mais seguros quando conseguem prever o que vai acontecer no dia.
Algumas atitudes ajudam muito:
Manter horários fixos para alimentação
Estabelecer rotina de passeios
Reservar um tempo diário exclusivo para interação
Evitar saídas e chegadas muito “emocionais”
Pequenos rituais trazem segurança emocional.
Enriquecimento ambiental faz diferença
Quando o pet passa mais tempo sozinho, o ambiente precisa oferecer estímulos adequados.
Boas opções:
Brinquedos interativos
Petiscos escondidos
Arranhadores (para gatos)
Janelas seguras para observação
Isso reduz o tédio e ajuda a aliviar a ansiedade.
Atenção especial a filhotes e idosos
Filhotes ainda estão aprendendo a lidar com separação, enquanto pets idosos tendem a ser mais sensíveis a mudanças. Ambos os grupos merecem atenção redobrada nesse período.
Quando procurar ajuda veterinária?
Se os sinais:
Persistirem por semanas
Aumentarem de intensidade
Afetarem alimentação ou saúde geral
É fundamental procurar orientação veterinária. Em alguns casos, o acompanhamento comportamental ou terapias de apoio são necessários.
Volta às aulas também é adaptação para o pet
Assim como crianças e adultos precisam de tempo para se adaptar à nova rotina, os pets também precisam. A diferença é que eles não conseguem expressar isso com palavras.
Observar, compreender e agir com empatia faz toda a diferença.
Conclusão
A volta às aulas não precisa ser um momento de sofrimento para os pets. Com atenção, rotina bem estruturada e estímulos adequados, é possível transformar essa fase em um período de adaptação saudável.
Cuidar da saúde emocional do seu pet é tão importante quanto cuidar da saúde física.
E esse cuidado começa dentro de casa.



