Por Larissa França
Se amar está exigindo que você se diminua, talvez isso já não seja amor seja sobrevivência.
Na clínica, escuto com frequência pessoas dizendo:
“Eu tento mais.”
“Eu preciso ter mais paciência.”
“Se eu mudar, talvez a relação melhore.”
O que aparece por trás dessas falas não é falta de amor, mas um padrão relacional marcado pelo . Quando o vínculo adoece, o amor deixa de ser encontro e passa a ser esforço constante para não perder o outro.
Nesse tipo de relação, a pessoa não está apenas tentando manter o vínculo está tentando manter o próprio lugar nele. O medo não é só da separação, mas de perder a identidade construída dentro daquela relação.
Clinicamente, esse padrão costuma aparecer quando:o afeto é condicionado (“só sou amado se eu fizer certo”)a pessoa assume responsabilidades emocionais que não são só dela,o conflito é evitado para não ameaçar o vínculo,amar se confunde com suportar
O amor, então, deixa de ser espaço de troca e vira um campo de prova. Prova de resistência, de lealdade, de adaptação. Quanto mais a pessoa cede, mais acredita que está amando quando, na verdade, está se afastando de si.
Do ponto de vista clínico, isso costuma estar ligado a histórias de vínculos inseguros, experiências precoces de afeto instável ou relações onde o amor precisou ser conquistado. O sujeito aprende que, para não ser abandonado, precisa se moldar.
Por isso, sair desse padrão não é simples. Não se trata apenas de “impor limites” ou “se valorizar mais”, como muitas vezes se escuta por aí. Trata-se de reconstruir a capacidade de existir em relação sem se anular.
Na psicoterapia, o trabalho é devolver à pessoa algo fundamental:
a possibilidade de amar sem desaparecer.
Quando o amor deixa de ser esforço, ele volta a ser escolha.
Por que algumas pessoas permanecem em relações onde amar dói mais do que acolhe?
Porque aprenderam, muito cedo, que amor exige sacrifício e não presença.Quando o vínculo se torna condição para existir, o esforço parece mais seguro do que o risco de ser quem se é.
Se você sente que amar tem custado demais, talvez não seja sobre amar melhor, mas sobre olhar para os padrões que te levam a se abandonar para permanecer. Relações feridas pedem clareza emocional, não culpa. A psicoterapia é um espaço para compreender essas repetições e construir formas mais saudáveis de se vincular.
Onde há dor, há algo pedindo clareza.
Psicóloga Larissa França
CRP 03/33953
Atuação clínica com foco em vínculos adoecidos, traumas relacionais e luto
Instagram: @larifranca.psique



