Por Aíres Lacerda
@aireslacerda.terapeuta
Leitura recomendável para todas as idades
O Carnaval é tradicionalmente associado à alegria, celebração e pausa da rotina. Para muitos, representa um momento legítimo de lazer e expressão cultural. No entanto, do ponto de vista da saúde emocional, a ciência tem observado um fenômeno recorrente: quando a distração deixa de ser descanso e passa a funcionar como anestesia emocional.
A questão não está no Carnaval em si, mas na forma como ele é utilizado. Em alguns casos, a festa se transforma em um recurso inconsciente para evitar contato com sentimentos difíceis acumulados ao longo do ano.
Distração saudável ou fuga emocional?
Distração é um mecanismo natural e necessário do cérebro. Momentos de prazer ajudam a regular o estresse e restaurar energia mental. O problema surge quando a distração se torna a única estratégia para lidar com desconfortos emocionais.
A fuga emocional ocorre quando a pessoa busca estímulos intensos, excesso de festas, álcool, atividades contínuas ou hiperestimulação, não para descansar, mas para não sentir.
Nesses casos, o silêncio interno se torna ameaçador, e a pausa deixa de ser reparadora.
Qual é o papel do cérebro na busca por anestesia emocional?
Do ponto de vista neurobiológico, ambientes altamente estimulantes ativam o sistema de recompensa do cérebro, especialmente a liberação de dopamina. Essa ativação pode gerar alívio temporário de estados emocionais como tristeza, ansiedade ou vazio.
No entanto, estudos mostram que esse alívio é curto. Após o pico de estímulo, ocorre uma queda neuroquímica que pode intensificar sensações de cansaço, irritabilidade e desmotivação; o que explica o aumento de relatos de mal-estar emocional no pós-Carnaval.
Quando o excesso sinaliza algo mais profundo:
Alguns sinais de que a distração pode estar funcionando como anestesia emocional incluem:
Necessidade constante de estímulo para se sentir bem
Dificuldade de ficar em silêncio ou sozinha(o)
Uso excessivo de álcool ou outras substâncias em contextos sociais
Sensação de vazio após momentos de euforia
Cansaço emocional desproporcional após o período festivo
Esses sinais não indicam falta de controle, mas uma tentativa do sistema nervoso de escapar do desconforto interno.
Carnaval, estresse acumulado e o corpo, como assim?
O corpo não distingue claramente estresse emocional de estresse físico. Privação de sono, excesso de estímulos, consumo elevado de álcool e desregulação alimentar, comuns nesse período, somam-se ao estresse emocional já existente.
Esse conjunto pode resultar em:
Queda da imunidade
Alterações gastrointestinais
Dores musculares
Oscilações de humor
Sensação de esgotamento logo após o feriado
Para quem já vive em estado de sobrecarga emocional, o Carnaval pode funcionar menos como descanso e mais como intensificador do desgaste.
Existem alternativas e a ciência as apontam
Pesquisas em saúde emocional indicam que o verdadeiro descanso envolve regulação do sistema nervoso, não apenas distração. Isso inclui:
Alternar estímulo com pausa
Respeitar limites físicos e emocionais
Manter algum nível de escuta interna
Evitar o uso de excessos como estratégia principal de alívio
Lazer e autocuidado não são opostos. Eles se complementam quando há consciência.
Você pode aproveitar sem se abandonar
É possível viver o Carnaval de forma saudável quando ele não é usado para silenciar dores, mas para expressar alegria genuína. O risco surge quando a festa se torna um meio de evitar perguntas internas importantes.
Após o barulho, o corpo e a mente continuam ali e pedem atenção.
Para reflexão
Use sua sinceridade a seu favor e se pergunte:
“Estou buscando esse estímulo para celebrar ou para não sentir?”
Meu trabalho une Terapias Integrativas, Reprogramação Emocional e suplementação personalizada para te ajudar na regulação do sistema nervoso de forma mais rápida e eficaz, focando na prevenção do adoecimento emocional e físico, respeitando a individualidade de cada pessoa.
Descansar não é se distrair o tempo todo.
Às vezes, é permitir-se sentir sem anestesia.
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Referências:
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The Unengaged Mind: Defining Boredom in Terms of Attention.
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