Por Aíres Lacerda
@aireslacerda.terapeuta
Leitura recomendável para todas as idades
Encerrar ciclos raramente é um ato impulsivo. Na maioria das vezes, é um processo silencioso, feito de observação, desgaste acumulado e perguntas que deixam de ser adiadas. A ciência do comportamento humano mostra que pessoas não mudam apenas quando algo dá errado, mas quando passam a enxergar com clareza o que já não faz sentido sustentar.
Encerrar um ciclo não é desistir. É escolher com consciência.
Consciência não surge no auge, mas no limite
Do ponto de vista neuropsicológico, a consciência se amplia quando há discrepância entre esforço e retorno emocional. Quando a energia investida deixa de gerar crescimento, pertencimento ou coerência interna, o sistema nervoso começa a sinalizar.
Esses sinais aparecem como:
Cansaço emocional persistente
Perda de sentido, mesmo em ambientes funcionais
Redução do engajamento interno
Sensação de estar “fora do próprio eixo”
A consciência não chega como ruptura imediata, mas como lucidez progressiva.
Escolher também é um ato biológico
Escolhas não são apenas racionais. Elas envolvem sistemas cerebrais ligados à segurança, identidade e autorregulação. Permanecer em contextos que já não ressoam exige esforço fisiológico contínuo. O corpo precisa se adaptar ao desalinhamento.
Pesquisas mostram que decisões alinhadas com valores internos reduzem carga de estresse e melhoram a capacidade de regulação emocional. Já escolhas mantidas apenas por obrigação tendem a aumentar desgaste psíquico e físico.
Escolher encerrar é, muitas vezes um movimento de autopreservação.
O mito da permanência a qualquer custo
Culturalmente permanecer é visto como virtude. Encerrar costuma ser associado a fracasso, instabilidade ou ingratidão. A ciência, porém, aponta outro dado importante: insistir em contextos que já não promovem adaptação saudável aumenta o risco de adoecimento emocional.
Encerrar ciclos não invalida o que foi vivido.
Ele reconhece que a função daquele ciclo se cumpriu.
O encerramento como integração, não ruptura
Encerrar com consciência não significa negar aprendizados nem apagar histórias. Significa integrar o que foi vivido e seguir sem carregar pesos desnecessários.
Processos saudáveis de encerramento envolvem:
Reconhecimento do que foi construído
Clareza sobre o que mudou internamente
Responsabilidade pela própria escolha
Liberação de expectativas que já não cabem
Esse tipo de encerramento não gera vazio, gera espaço.
Quando ficar custa mais do que partir
Um dos marcadores mais claros de que um ciclo se aproxima do fim é quando permanecer exige mais energia do que seguir adiante. O corpo percebe antes da mente: a vitalidade diminui, a criatividade se retrai, o entusiasmo se torna mecânico.
A ciência chama isso de desalinhamento adaptativo. A vida segue, mas sem fluidez.
Encerrar, nesses casos não é romper com o externo.
É reaproximar-se de si.
Consciência também é saber sair
Saber começar é importante. Saber sustentar também. Mas saber encerrar é sinal de maturidade emocional. Pessoas conscientes não esperam adoecer para se mover, elas escutam os sinais antes do colapso.
Encerrar um ciclo com lucidez é uma forma de respeito:
Com o próprio corpo
Com a própria história
Com o que ainda pode vir
Para reflexão
Talvez a pergunta mais honesta não seja: “por que sair?”, mas:
“O que em mim já não cabe mais aqui?”
Meu trabalho une Terapias Integrativas, Reprogramação Emocional e suplementação personalizada como estratégias de regulação do sistema nervoso, com foco em escolhas conscientes, saúde emocional e prevenção do adoecimento físico e psíquico.
Encerrar ciclos não é perda.
É coerência.
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Referências
Deci, E. L., & Ryan, R. M.
Self-Determination Theory: Basic Psychological Needs in Motivation, Development, and Wellness. Guilford Press, 2017.
Schwartz, B.
The Paradox of Choice. HarperCollins, 2004.
Baumeister, R. F., & Vohs, K. D.
Self-regulation, ego depletion, and motivation. Social and Personality Psychology Compass, 2007.
Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G.
Acceptance and Commitment Therapy. Guilford Press, 2016.
American Psychological Association (APA).
Stress, Decision-Making, and Well-Being, 2021.
Estudos sobre tomada de decisão, autonomia emocional e encerramento de ciclos – PubMed, 2019–2024.



