Por Thiago Alves Eduardo
Psicólogo
@thiagoalvespsic
Cuidar da saúde mental é um dos desafios mais importantes da vida contemporânea. Em meio a cobranças constantes, excesso de informações e expectativas externas, muitas vezes nos afastamos de nós mesmos sem perceber. Alinhar a saúde mental não significa viver sem problemas, dores ou conflitos, mas aprender a lidar com eles de forma mais consciente, respeitosa e equilibrada. Trata-se de um processo contínuo de escuta interior, aceitação e construção de hábitos que sustentem o bem-estar emocional.
Um dos pilares fundamentais para esse alinhamento é o autoconhecimento. Conhecer a si mesmo vai além de identificar gostos ou preferências; envolve reconhecer emoções, padrões de comportamento, gatilhos emocionais e limites pessoais. Quando ignoramos nossos sentimentos, eles não deixam de existir apenas se acumulam, muitas vezes se manifestando em forma de ansiedade, irritabilidade ou esgotamento. Ao nos permitirmos sentir, refletir e compreender o que se passa internamente, criamos espaço para escolhas mais saudáveis e alinhadas com nossos valores.
Outro ponto essencial é o respeito aos próprios limites. Vivemos em uma cultura que valoriza o excesso: excesso de trabalho, de produtividade, de disponibilidade. Aprendemos a dizer “sim” mesmo quando estamos cansados, sobrecarregados ou emocionalmente fragilizados. No entanto, alinhar a saúde mental exige coragem para dizer “não” quando necessário. Estabelecer limites não é um ato de egoísmo, mas de autopreservação. Quando respeitamos nossos limites, conseguimos estar mais inteiros nas relações e atividades que realmente importam.
As relações interpessoais também exercem grande influência sobre a saúde mental. Estar cercado de pessoas que oferecem apoio, escuta e compreensão fortalece emocionalmente. Por outro lado, relações baseadas em críticas constantes, desvalorização ou falta de empatia podem se tornar fontes silenciosas de sofrimento. Aprender a cultivar vínculos saudáveis e, quando necessário, se afastar do que machuca, é uma forma legítima de autocuidado. Relações saudáveis não são perfeitas, mas são aquelas onde existe respeito, diálogo e espaço para ser quem se é.
Além disso, é impossível falar de saúde mental sem considerar a integração entre mente e corpo. O corpo reflete aquilo que a mente vive. Privação de sono, alimentação desregulada, sedentarismo e ausência de pausas afetam diretamente o equilíbrio emocional. Da mesma forma, emoções reprimidas podem se manifestar fisicamente, através de dores, cansaço excessivo ou tensão constante. Pequenos hábitos diários como dormir melhor, se alimentar de forma consciente, movimentar o corpo e respeitar momentos de descanso constroem uma base sólida para o bem-estar mental.
Outro aspecto importante é a autocompaixão. Muitas vezes somos duros demais conosco, exigindo perfeição e resultados imediatos. Erros, falhas e momentos de fragilidade fazem parte da experiência humana. Tratar-se com gentileza, reconhecer esforços e aceitar imperfeições ajuda a reduzir a autocobrança e fortalece a autoestima. A autocompaixão não significa acomodação, mas sim compreensão de que o crescimento acontece em ritmo próprio.
Alinhar a saúde mental também envolve reconhecer quando é hora de pedir ajuda. Ainda existe um estigma em torno do cuidado psicológico, como se buscar apoio fosse sinal de fraqueza. No entanto, pedir ajuda é um ato de responsabilidade e coragem. Conversar com um profissional, compartilhar sentimentos com alguém de confiança ou simplesmente admitir que não está tudo bem pode aliviar pesos invisíveis. Ninguém precisa enfrentar tudo sozinho.
Por fim, cuidar da saúde mental é um exercício diário de presença e honestidade consigo mesmo. Não existe uma fórmula única, nem um estado permanente de equilíbrio. Haverá dias bons e dias difíceis, avanços e recaídas. O mais importante é manter o compromisso de se escutar, se respeitar e se cuidar ao longo do caminho. Alinhar a saúde mental é, acima de tudo, um gesto de amor-próprio silencioso, constante e profundamente transformador.



