Por Danilo Mathos
_Um olhar consciente sobre a folia_
O Carnaval é, sem dúvida, uma das maiores manifestações culturais do nosso país. Festa, música, corpos em movimento, celebração, liberdade e encontro. Porém, do ponto de vista energético e espiritual, também é um dos períodos mais intensos do ano. Não porque seja “ruim”, mas porque envolve multidões, excesso de estímulos, uso de álcool e outras substâncias, quebras de limites pessoais e uma enorme liberação emocional coletiva.
Onde há muita energia em movimento, há também desequilíbrios.
Enquanto terapeuta integrativo e holístico, não vejo o Carnaval como algo a ser temido, mas como um período que exige consciência energética. Nem tudo que vibra alto é saudável, e nem toda alegria é limpa. Em ambientes de aglomeração, as energias se misturam: emoções reprimidas, frustrações, euforias artificiais, carências, impulsos e dores pessoais entram em contato direto umas com as outras.
Do ponto de vista espiritual, esses ambientes também se tornam propícios à aproximação de consciências desequilibradas, muitas vezes chamadas popularmente de espíritos zombeteiros ou obsessores leves. Eles não “aparecem do nada”. São atraídos por frequência, excesso, desatenção e abertura energética sem proteção.
A boa notícia é que ninguém está condenado a absorver tudo isso.
Consciência é a primeira proteção
Antes de qualquer ritual, banho ou amuleto, a principal proteção é a consciência.
Pergunte-se:
Como estou entrando nesse ambiente?
Estou tentando fugir de algo?
Estou buscando prazer ou anestesia emocional?
Quando a pessoa entra no Carnaval em estado de fuga, vazio ou excesso, ela se torna energeticamente vulnerável. Quando entra consciente, com limites claros, o campo energético se mantém mais íntegro.
Cuide do seu corpo, ele é seu templo
Energia e corpo não estão separados. Dormir mal, se alimentar mal, abusar de álcool e ignorar os sinais do próprio corpo fragilizam diretamente o campo energético.
Hidrate-se bem, alimente-se antes de sair, respeite seus limites físicos. Um corpo exausto é um campo aberto.
*Proteção energética simples e eficaz*
_Não é necessário nada mirabolante._
O simples funciona quando feito com intenção:
Antes de sair, faça uma breve respiração consciente e visualize uma luz envolvendo seu corpo, como um campo de proteção.
Evite sair emocionalmente abalado. Se estiver muito fragilizado, esse talvez não seja o melhor dia.
Evite ambientes onde você se sente drenado, mesmo que “todo mundo esteja indo”.
Banhos energéticos leves, com ervas como alecrim, manjericão ou arruda, podem ser feitos ao chegar em casa, sempre com respeito e intenção clara de limpeza, não de medo.
Cuidado com o toque e com os excessos.
O Carnaval amplia o contato físico. Nem todo toque é neutro. Nem toda troca é saudável. Beijos, abraços e relações casuais envolvem trocas energéticas reais.
Não é moralismo, é responsabilidade energética.
Se algo incomoda, respeite o sinal. O corpo sempre avisa.
*Depois da folia, faça o fechamento energético*
Ao retornar para casa, é importante encerrar o campo. Um banho, uma oração pessoal, um momento de silêncio ou gratidão ajudam a *“fechar”* a energia do dia. Isso evita levar para a semana seguinte aquilo que não é seu.
Carnaval não é o problema. Inconsciência é.
A energia do Carnaval apenas amplifica o que já está dentro de cada um. Para alguns, será alegria genuína. Para outros, exaustão, confusão e vazio.
A espiritualidade madura não proíbe, não demoniza e não assusta. Ela orienta, fortalece e ensina a escolher melhor.
Que possamos viver a festa com presença, prazer com consciência e espiritualidade sem medo.



