Por João Costa Bezerra
O conto Príncipe Sapo, registrado pelos Irmãos Grimm, abre espaço para uma reflexão psicológica profunda sobre relações e amadurecimento emocional.
Antes de começar, vale lembrar: ao longo da vida interpretamos nossas experiências com os recursos emocionais que temos em cada fase. Isso significa que nem sempre entendemos o que sentimos de forma clara e também que temos responsabilidade sobre o que fazemos com aquilo que vivemos.
Partindo disso, podemos imaginar a bruxa da história como símbolo de uma mãe internalizada como excessivamente exigente. Não necessariamente uma mãe real assim, mas uma figura que, na percepção da criança, foi sentida como difícil de agradar. Dessa experiência podem nascer sentimentos de inadequação, a sensação de nunca ser suficiente e uma voz interna crítica que cobra perfeição.
Quando alguém cresce com essa marca emocional, pode acabar buscando relacionamentos não para construir parceria, mas para encontrar alguém que ocupe o lugar da “mãe ideal”: sempre disponível, acolhedora e validante — sem que precise oferecer o mesmo em troca. A parceira deixa de ser vista como pessoa com desejos próprios e passa a ser percebida como alguém que deveria curar feridas antigas.
Quando esse padrão se instala, e isso nem sempre é consciente, a pessoa não procura um vínculo afetivo, e sim um tipo de apoio emocional constante para aliviar dores internas.
Nessa posição, pode evitar compromissos profundos, porque é mais confortável permanecer psicologicamente no lugar do filho ferido do que assumir a responsabilidade de cuidar de si mesmo.
Assim, o adulto que permanece preso a essa dinâmica tende a buscar relações não para amar, mas para ser cuidado. Existe, no fundo, a crença de que alguém irá amá-lo o suficiente para consertá-lo. Essa é uma expectativa infantil de salvação externa — algo que o amadurecimento emocional precisa transformar em autorresponsabilidade psíquica.
Nessa leitura, a moral da história muda: não é o amor do outro que quebra o feitiço, mas o processo interno de reconhecer as próprias feridas, desenvolver autonomia emocional e sair da posição de filho para ocupar o lugar de adulto.
Está reflexão nos mostra os papeis que ocupamos na história da vida, ressalto nesse momento que, na nossa história, nós somos os protagonistas, portanto hoje deixo uma reflexã. Qual papel você ocupa na sua história?
Psicólogo João Costa Bezerra
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