Por Elisângela Santos
Especialista em búzios e cartas @desvendando_os_segredos
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Quando os ventos se levantam e as nuvens se agitam no céu, é Oyá quem dança.
Ela é a tempestade que rasga o horizonte, a ventania que abre caminhos, a chama que nunca se apaga.
Ayabá Jagun, Mulher Guerreira, sua presença é trovão e liberdade.
No grande tecido espiritual de Egbé Orun, Oyá habita a comunidade Balle, e dentro dela floresce o clã secreto de Ìyámàpò.
Ìyámàpò, guardiã da Floresta Sagrada de Òsún em Osogbo, é a mãe que molda o barro e dá forma ao feminino.
Ela é a deusa da cerâmica, dos ofícios, da criação que nasce das mãos.
Retratada com múltiplas mãos e pássaros, carrega em si a multiplicidade da mulher e o poder ancestral que sustenta o mundo.
Mas Ìyámàpò também fala dos mistérios da alma.
Ela revela que há espíritos que habitam corpos diferentes do que lhes foi destinado: homens em corpos de mulheres, mulheres em corpos de homens.
Esse saber antigo ecoa como canto de liberdade, reconhecendo que o espírito é maior que a carne, e que cada ser é sagrado em sua diferença.
Por isso, muitos filhos da comunidade LGBT+ encontram em Oyá sua mãe espiritual.
Ela acolhe os que vivem entre ventos de identidade e tempestades de preconceito, lembrando que a diversidade é força, não fraqueza.
Ser filho de Oyá é carregar a coragem de enfrentar o mundo, é ser tempestade que purifica, é ser vento que liberta.
Oyá não pede silêncio: ela exige movimento.
Ela não aceita prisão: ela sopra liberdade.
E em cada corpo, em cada alma, em cada dança, Oyá reafirma: a vida é múltipla, e a diferença é sagrada.



