Por Danilo Mathos
Muito antes da medicina se organizar em protocolos, hospitais e especialidades, o cuidado com a vida acontecia a partir de uma compreensão simples e profunda: *tudo o que vive carrega energia*. Povos ancestrais, em diferentes partes do mundo, não separavam corpo, mente, ambiente e espírito. A saúde era vista como resultado do equilíbrio entre esses campos.
Dentro dessa visão, hoje reconhecida como xamânica, o ser humano não ocupava o centro do universo, mas fazia parte de uma rede viva que incluía animais, plantas, rios, montanhas e ciclos naturais. A doença, portanto, não era apenas um problema físico. Era um sinal de desarmonia, uma ruptura no fluxo natural da vida.
Com o passar dos séculos, o avanço científico trouxe conquistas incontestáveis. A medicina moderna salvou e salva vidas diariamente. No entanto, nesse processo, algo essencial ficou em segundo plano: *a escuta do campo energético e emocional do ser vivo.* Curiosamente, é justamente esse aspecto que começa a ser revisitado no mundo contemporâneo.
*A redescoberta da energia vital*
A ideia de que somos energia não é nova, nem mística. A física moderna já demonstrou que tudo é composto por campos energéticos em constante movimento. O que as tradições ancestrais faziam de forma intuitiva, hoje começa a ser compreendido também pela ciência.
Nesse contexto, práticas integrativas que trabalham o equilíbrio energético ganham espaço não como substituição da medicina, mas como *complemento ao cuidado integral*. O Reiki, por exemplo, originado no Japão, baseia-se na canalização da energia vital universal para promover equilíbrio, relaxamento e reorganização dos sistemas do corpo.
Atualmente, essa prática já é reconhecida e incorporada em diversos sistemas de saúde ao redor do mundo, inclusive em ambientes hospitalares, como forma de apoio ao tratamento convencional. Não se trata de crença, mas de observação clínica: pessoas que recebem esse tipo de cuidado apresentam, com frequência, redução do estresse, melhora no bem-estar emocional e maior capacidade de enfrentamento de processos de dor e recuperação.
*O encontro entre saberes antigos e práticas contemporâneas*
Quando o Reiki dialoga com a visão xamânica, o olhar se amplia. O cuidado deixa de ser apenas individual e passa a considerar o impacto das emoções, do ambiente e das relações na saúde. Esse encontro resgata algo fundamental: *a consciência de pertencimento.*
Seres humanos, animais e plantas compartilham campos energéticos sensíveis. Quem convive com animais percebe com facilidade como eles respondem a estados emocionais, ambientes carregados ou momentos de desequilíbrio. Plantas também reagem à presença, ao toque e à intenção. Nada disso é novo. Apenas foi esquecido.
Práticas energéticas integrativas atuam justamente nesse ponto de reconexão. Elas não prometem cura instantânea, nem ignoram a importância do acompanhamento médico. Seu papel é outro: *criar condições internas e externas para que a vida encontre novamente seu fluxo natural.*
*Benefícios que vão além do indivíduo*
Os efeitos desse tipo de cuidado não se limitam à pessoa que recebe. Ambientes harmonizados energeticamente tendem a se tornar mais acolhedores. Animais demonstram maior tranquilidade. Plantas se desenvolvem com mais vitalidade. Isso acontece porque o equilíbrio não é isolado, ele se propaga.
Em um mundo marcado por excesso de estímulos, ansiedade crônica e desconexão da natureza, trabalhar a própria energia torna-se uma prática essencial de saúde. Não como luxo espiritual, mas como *higiene emocional e energética.*
Hospitais que hoje se abrem para práticas integrativas compreendem algo importante: tratar apenas o sintoma não é suficiente. É preciso olhar o ser humano de forma integral, reconhecendo que emoções, pensamentos e ambiente influenciam diretamente os processos de adoecimento e recuperação.
*Um retorno necessário*
Talvez o grande movimento do nosso tempo não seja a criação de algo novo, mas o *retorno consciente a saberes antigos*, agora integrados ao conhecimento científico. O cuidado energético, presente nas culturas ancestrais, reaparece como resposta à exaustão física e emocional da sociedade moderna.
Cuidar da energia não é fugir da realidade. É aprender a habitá-la com mais presença, equilíbrio e responsabilidade. Afinal, quando a energia se organiza, o corpo responde, as relações se ajustam e a vida encontra espaço para fluir.
No fim, a pergunta não é se essas práticas funcionam. A pergunta é: *quanto tempo ainda vamos levar para lembrar que sempre funcionaram?*



