Por Carla Perin
MÈDICA VETERINÀRIA SISTÊMICA
@cacaperin
Um olhar sistêmico a partir do caso do cão Orelha
A morte violenta do cãozinho Orelha não é apenas uma tragédia isolada. Sob o olhar da Medicina Veterinária Sistêmica e das Constelações Familiares de Bert Hellinger, ela se revela como um sintoma grave de um sistema humano adoecido. Quando um animal é brutalmente agredido, algo muito mais profundo está em colapso — não apenas naquele indivíduo que agride, mas no campo coletivo ao qual todos pertencemos.
Na visão sistêmica, nada acontece fora do campo. A violência nunca surge do nada. Ela é expressão de exclusões, rupturas, traumas não elaborados e dores ancestrais que não encontraram lugar, nome ou reconhecimento. Quando essas dores não são vistas, elas retornam — muitas vezes, de forma cega e destrutiva.
Bert Hellinger nos ensina que a violência nasce onde houve exclusão. Um ser humano capaz de tamanha brutalidade contra um animal geralmente carrega, em seu inconsciente, histórias de abandono, humilhação, abusos, negligência ou violência que não puderam ser simbolizadas.
O animal, nesse contexto, ocupa um lugar extremamente vulnerável no sistema. Ele representa o inocente, o mais frágil, aquele que não pode se defender nem se explicar.
Vivemos um tempo em que a crueldade parece se banalizar. Guerras, intolerância, violência doméstica, abuso infantil, feminicídio e agressões contra animais coexistem no mesmo campo.
Quando a hierarquia da vida é rompida — quando o mais forte ataca o mais fraco — o sistema inteiro adoece.
UM CHAMADO À CONSCIÊNCIA
A violência contra um animal nunca é pequena. Ela revela o ponto em que o humano se desconectou da própria alma.
Que o caso de Orelha não seja apenas mais uma notícia esquecida.
Honrar a vida — toda vida — é um compromisso diário. E esse compromisso começa em nós.



