Por João Costa Bezerra
Já percebeu como, às vezes, uma coisa pequena vira uma avalanche por dentro da gente?
Uma crítica no trabalho, uma discussão boba, uma mudança inesperada… e pronto: ansiedade lá em cima, tristeza pesada, raiva que parece não caber no corpo.
Muita gente acha que isso é exagero, fraqueza ou falta de controle emocional. Mas não é.
Na maioria das vezes, essa reação não nasce no agora. Ela vem do passado.
A verdade é que ninguém chega no presente de mãos vazias.
A gente carrega histórias, marcas, aprendizados — e também feridas. Tudo o que vivemos na infância e na adolescência ajudou a construir uma espécie de “manual interno” de sobrevivência. Um sistema de alarme emocional.
Em algum momento da vida, talvez cedo demais, aprendemos a nos virar sozinhos.
Criamos defesas, estratégias, jeitos de não sofrer tanto. Isso moldou nossa forma de enxergar o mundo, de nos relacionar, de reagir.
O problema é que o que um dia nos protegeu, hoje pode nos aprisionar.
A mente continua tentando nos salvar de dores antigas, mesmo quando elas já não existem da mesma forma.
Então o chefe vira aquela figura autoritária do passado.
O silêncio do outro soa como abandono.
Um limite parece rejeição.
E o corpo reage como se estivesse em perigo real.
É assim que surgem a ansiedade que antecipa tragédias, a tristeza que parece não ter motivo claro, a irritação que explode sem aviso. Não é descontrole. É um alarme antigo tocando fora de hora.
Reconhecer isso não é culpar o passado, nem apontar dedos para quem nos criou.
É assumir o volante da própria história.
Quando a gente entende que um gatilho é, na verdade, uma pista — algo que aponta para uma ferida antiga —, ganha a chance de escolher diferente.
Responder ao presente como adulto, e não reagir como aquela versão nossa que precisou sobreviver.
Cuidar da saúde mental é isso:
não apagar quem fomos,
mas deixar de viver refém do que doeu.
É aprender a viver com mais consciência, mais gentileza consigo… e, principalmente, com mais liberdade.
Referências bibliográficas
BECK, J. S. Terapia Cognitivo-Comportamental: teoria e prática. Porto Alegre: Artmed.
BOWLBY, J. Apego e perda. São Paulo: Martins Fontes.
VAN DER KOLK, B. O corpo guarda as marcas. São Paulo: Editora Sextante.
YOUNG, J. E.; KLOSKO, J. S.; WEISHAAR, M. E. Terapia do Esquema. Porto Alegre: Artmed.
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João Costa Bezerra – Psicólogo Clínico
Especialista em Saúde Mental e Atenção Psicossocial
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