Por Psicóloga Clínica Viviane Romanio
Especializada em Saúde Mental.
O aumento da expectativa de vida é uma conquista da sociedade contemporânea. No entanto, viver mais não significa, necessariamente, viver melhor. Envelhecer bem envolve mais do que manter a saúde física: inclui preservar autonomia, vínculos, propósito e equilíbrio emocional.
O envelhecimento é um processo natural, mas não neutro do ponto de vista emocional. Na terceira idade, ocorrem mudanças biológicas, sociais e psicológicas que podem impactar significativamente a saúde mental.
A saúde mental na terceira idade é um dos principais determinantes de qualidade de vida. Diferentemente do que ainda se acredita, sofrimento psíquico não é consequência inevitável do envelhecimento. Com estratégias adequadas, é possível atravessar essa fase com estabilidade emocional, significado e dignidade.
Envelhecimento é um processo biopsicossocial e multifatorial que envolve:
Alterações biológicas (mudanças hormonais, neurológicas e metabólicas).
Transformações sociais (aposentadoria, mudança de papéis familiares).
Processos psicológicos (ressignificação da identidade, elaboração de perdas).
A forma como cada pessoa atravessa essas mudanças depende de fatores internos e externos, história de vida, rede de apoio, condições socioeconômicas e acesso à saúde.
Os pilares do envelhecimento emocional saudável necessitam de manutenção de vínculos afetivos. E a conexão social é um dos principais fatores de proteção para a saúde mental, pois as relações significativas reduzem risco de depressão, ansiedade e declínio cognitivo.
Investir em amizades, convívio familiar saudável, participação comunitária, grupos sociais, religiosos, são forte aliados para o campo da prevenção emocional.
Ter um propósito e senso de utilidade é um fator protetor reconhecido pela literatura científica. Encontrar novas formas de contribuição como voluntariado, hobbies, aprendizado, mentorias, fortalece autoestima e sentido existencial.
Já no campo da estimulação cognitiva o cérebro mantém capacidade de adaptação ao longo da vida. Leitura, jogos, aprendizado de novas habilidades, música e atividades intelectuais contribuem para preservação cognitiva e autoestima.
O estímulo mental regular favorece a neuroplasticidade.
Dentro dos fatores determinantes para se manter uma saúde mental na terceira idade estão a atividade física regular.
Exercícios físicos impactam diretamente a saúde mental, pois podem reduzir sintomas depressivos, melhorar a qualidade do sono, diminuir a ansiedade, além de aumentarem disposição.
Mesmo atividades leves, quando regulares, trazem benefícios significativos.
É muito relevante que se tenha uma regulação emocional, pois envelhecer também envolve lidar com lutos, perdas e mudanças corporais. A psicoterapia na terceira idade auxilia na elaboração de perdas, adaptação a novas fases, prevenção de depressão e fortalecimento da autonomia emocional.
Não existe idade limite para cuidar da saúde mental.
O preconceito contra a idade impacta autoestima e identidade. Envelhecer bem inclui rejeitar narrativas que associam velhice à inutilidade ou incapacidade.
A valorização da experiência e da história pessoal fortalece o bem-estar psicológico.
Mas mesmo com todos os cuidados é importante estar atento a sintomas como tristeza persistente, apatia, isolamento progressivo, alterações importantes de sono e apetite, queixas físicas sem causa clara, perda de interesse pela vida.
Envelhecer bem é um processo ativo e significa, manter autonomia, preservar vínculos, adaptar-se às mudanças e sustentar propósitos.
Envelhecer com saúde mental não significa ausência de sofrimento, mas capacidade de lidar com perdas, ressignificar a vida e manter sentido existencial.
A saúde mental na terceira idade não acontece por acaso. Ela é resultado de escolhas, acesso a cuidados e ambiente favorável.
Longevidade com qualidade emocional é possível e deve ser objetivo coletivo, familiar e institucional.
Promover saúde mental no envelhecimento é promover dignidade.
Muito prazer! Eu sou Viviane Romanio, psicóloga clínica, pós graduada em Saúde mental e abordagens cognitivas pelo Hospital Albert Einstein de São Paulo e pós graduanda em TCC – Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto Cognitivo de Porto Alegre. Meus atendimentos são presenciais e online em todo Brasil e atendo também brasileiros pelo mundo. O meu público são adolescentes, jovens, adultos, casais e terceira idade.
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