Por Paula Silveira
Autores: Aldemir Nascimento – SertãoNat
@fbrn_oficial
O corpo é, em sentido mais amplo, apenas um invólucro que, no mundo material, serve de proteção ao ser biológico durante sua vivência no mundo terreno.
E, como forma de exercer esse papel, o corpo possui algumas funções sejam elas fisiológicas – instintiva, reprodução; biológicas – sobrevivência, manutenção do corpo; e sociais – comportamentos. O exercício dessas funções não ocorre de forma isolada ou autônoma. Há uma inter-relação ou conexão entre elas.
As interações com os diversos meios são percebidas pelos sentidos, provocando memórias, que, com o passar do tempo, vão gerando comportamentos.

Comportamentos biológicos, fisiológicos e sociais ocorrem de forma dinâmica, sendo que a maioria das vezes por conta das necessidades.
Uma dessas necessidades é a reprodução humana. Com esse objetivo, corpos se entregam a copulação, de forma instintiva. E, para colocar a frente tal ímpeto, corpos exercem comportamentos, por meio de atrações, diversas e criativas, com investidas para a sedução.
Tudo bem natural para a maioria dos seres vivos. Porém, para o ser humano não há limites. Há algo mais excitante: o prazer.
A lascívia viciante traspassa a satisfação fisiológica da copulação. A procura desenfreada por corpos ultrapassa a fronteira da função social gerando distúrbios comportamentais.

A nudez, tão natural, explicita a exposição do corpo, que, por si só, nada tem de atrativo, além da beleza corporal. Há de se considerar que beleza, segundo alguns filósofos, está na percepção dos sentidos de cada ser.
O corpo, historicamente, precisou ser coberto por inúmeros motivos, desde a proteção contra as variações climáticas, comportamento sociais, crenças limitantes, etc.
Porém, os distúrbios comportamentais caracterizados por falta de pudor, devassidão e imoralidade, passou a ser visto como pecados ou condutas altamente reprováveis na sociedade. Por consequência, a corpo passa a ser visto como um objeto casto, escondido e, quiçá, secreto.
No entanto, tudo que é secreto atiça a curiosidade humana. Junte-se o excesso de lascívia, o corpo secreto (escondido) e o instinto de copular e temos o nascedouro da promiscuidade.
Dentro da filosofia naturista, a prática da nudez sem conotação sexual, tendo regramentos de condutas e princípios, proporciona a inibição que corpos satisfaçam sua libido em público.
Dessa forma, a promiscuidade dentro do movimento naturista não tem campo para sua ação. Todo e qualquer naturista, independente de raça, credo, gênero e idade convivem, harmoniosamente, em um ambiente saudável.
E por conta desse referencial salutar, muitas vezes, os distúrbios comportamentais provocados pela cultura patriarcal, machista e misógina, têm sido amenizados dentro dos ambientes naturistas, onde corpos se vêem respeitados, em sua verdadeira essência. A nudez fica em segundo plano. O secreto não existe.
Paula Silveira é presidente da FBrN – Federação Brasileira de Naturismo, desde 2021 e presidente da associação SPNAT – Naturistas da Grande São Paulo desde 2020.É naturista desde 1997 e é integrante da CLANAT – Comissão Latino-Americana de Naturismo, foi Conselheira Maior da Região Sudeste de 2017 a 2020. Representou o Brasil no Congresso Mundial de Naturismo do México em 2024, no ELAN – Encontro Latino-Americano de Naturismo na Colômbia em 2022 e no Equador em 2020.
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