Por Paula Silveira
@fbrn_oficial
Fim de Festa – Experiência binaural
No último dia 29/11, participantes viveram uma experiência incomum — e, segundo muitos deles, profundamente transformadora — ao assistir nu à sessão da peça “Fim de Festa: um mergulho para remixar a realidade”, dirigida por Fabiana Monsalú. A proposta, que combina performance imersiva, dramaturgia sonora binaural e um ambiente cenográfico em ruínas, ganhou camadas inesperadas quando o público foi convidado a vivenciar tudo nu, junto aos demais espectadores.
A seguir, reunimos impressões de quem participou dessa edição singular.
Um ritual coletivo de vulnerabilidade
Para Fabrizio, a nudez não foi um detalhe, mas um eixo estruturante da experiência. Ele descreve a vivência como um “ritual de desconstrução”, no qual a ausência de roupas intensificou a verdade, a escuta e a presença no espaço.
“A nudez coletiva dissipou qualquer barreira. Não éramos voyeurs; fazíamos parte do espaço, daquele ‘dia seguinte’ de uma festa patriarcal que já não existe”, relata. Para ele, a peça transcendeu o teatro convencional e abriu espaço para “exposição das fragilidades e a possibilidade de um recomeço”.
Outros participantes corroboram essa sensação de entrega, destacando a beleza do ambiente de confiança criado entre todos.
Sara e Daniel observaram a cumplicidade do grupo de naturistas da associação SP-NAT como um fator decisivo para que a peça fosse impactante.
“A vulnerabilidade e honestidade que a nudez traz dialogou muito bem com os argumentos da peça”, disseram ambos.
Sensorialidade ampliada pelo binaural
A dramaturgia sonora, elemento central da obra, também foi ressaltada em diversos relatos.
Ana Maria destacou que, mesmo sem imagens, o som permitia “visualizar o cenário e as pessoas”. Os sussurros próximos ao ouvido geraram desconforto — “um elogio”, segundo ela — que contribuiu para intensificar a imersão.
Karina, que vivenciou pela primeira vez tanto a nudez num ambiente teatral quanto o áudio binaural em contexto artístico, considerou a soma das linguagens extremamente natural:
“Estar mergulhada no espetáculo faz qualquer um se esquecer da ausência de roupa. A atenção fica totalmente nos acontecimentos.”
José reforça essa percepção ao afirmar que a nudez ampliou a potência do texto, que aborda temas como corpo, pele e sensibilidade.
Naturismo como ponte para novas formas de estar no mundo
Para muitos, a experiência também teve impacto para além da peça em si. Alguns participantes relataram que vivenciar a nudez coletiva em pleno centro da cidade foi algo simbólico e libertador.
José descreveu como “surreal” a oportunidade de ativar o naturismo naquele contexto, dizendo que a vivência reforçou “a ideia de que outros modos de viver são possíveis”.
Já Karina ressaltou o desejo de ter mais experiências naturistas em ambientes culturais, afirmando ser algo “extremamente natural em eventos sociais”.
Primeiras vezes marcantes
Para Meire, a sessão marcou uma estreia inesquecível no universo naturista e na estética proposta pela peça.
“Foi a primeira vez que participei, e gostei muito”, disse de maneira sucinta, mas entusiasmada.
Ana Maria também pontuou questões relevantes sobre a composição do público: a nudez da plateia e a predominância masculina, considerando que a obra discute a masculinidade tóxica, chamaram sua atenção como aspectos significativos.

Um espetáculo que ultrapassa o palco
Os relatos convergem em uma percepção: “Fim de Festa” não é apenas uma peça, mas uma vivência artística que envolve corpo, escuta e coletividade de forma íntegra. A nudez — longe de ser provocação — opera como linguagem, abrindo espaço para reflexões sobre vulnerabilidade, presença e reconstrução simbólica.
A equipe responsável pelo espetáculo recebeu elogios calorosos, entre eles para a diretora Fabiana Monsalú, a dramaturga Camila Damasceno, os atores Hercules e Magno, além de Beatriz, Renato e Hugo Faz, criador do Estúdio Nu.
Seja para iniciantes no naturismo, seja para quem já pratica, seja para quem busca novas formas de experimentar o teatro, “Fim de Festa” parece deixar marca duradoura em quem vivencia sua proposta.
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