Por Aíres Lacerda
@aireslacerda.terapeuta
Leitura recomendável para todas as idades
Quando se fala em saúde mental, muitas pessoas pensam imediatamente em eventos externos: excesso de trabalho, problemas familiares, dificuldades financeiras ou relacionamentos desafiadores. Embora esses fatores tenham impacto real, existe um elemento menos visível e muitas vezes mais determinante na construção do equilíbrio emocional: é a forma como você se trata internamente.
A maneira como você fala consigo mesma(o), interpreta suas falhas, lida com limites e responde aos próprios sentimentos constrói, diariamente, o ambiente emocional em que vive. E esse ambiente pode ser nutritivo ou profundamente adoecedor.
*O diálogo interno que ninguém escuta
O diálogo interno acontece o tempo todo, mesmo quando você não percebe. Ele se manifesta em pensamentos automáticos, julgamentos silenciosos e cobranças constantes.
Algumas frases comuns desse diálogo:
“Eu devia dar conta disso.”
“Todo mundo consegue, menos eu.”
“Não posso errar.”
“Isso é fraqueza.”
“Depois eu cuido de mim.”
Essas falas internas quando repetidas, moldam a experiência emocional. O cérebro não diferencia com clareza uma crítica externa de uma interna. Para o sistema nervoso, ambas sinalizam ameaça.
Com o tempo, esse padrão mantém o corpo em estado de alerta aumentando ansiedade, irritabilidade, exaustão e dificuldade de descanso mental.
*Autocrítica não é autoconsciência
Existe uma diferença fundamental entre perceber limites e se atacar por eles. Autoconsciência promove ajuste; autocrítica excessiva promove retração e medo.
Na Reprogramação Emocional, entendemos que muitas pessoas acreditam que precisam se cobrar para evoluir. Na prática, o que sustenta mudanças consistentes é segurança interna, não pressão constante.
Quando o tratamento interno é duro, o sistema emocional se organiza em torno da defesa, não do crescimento.
*Como esse padrão se forma
A forma como você se trata internamente não surge do nada. Ela é aprendida ao longo da vida, a partir de:
Ambientes onde emoções foram invalidadas
Modelos de exigência excessiva
Falta de acolhimento em momentos de erro ou vulnerabilidade
Reforço da ideia de que valor está ligado a desempenho
Experiências precoces de comparação ou crítica
Esses registros emocionais se tornam automáticos. A pessoa não escolhe se tratar mal, ela repete o que foi aprendido.
A boa notícia é que padrões aprendidos podem ser reprogramados.
*O impacto físico de se tratar mal internamente
Tratar-se com dureza não afeta apenas o emocional. O corpo responde a esse padrão com tensão muscular, alterações no sono, aumento do cortisol e dificuldade de recuperação física.
Stephen Porges, ao estudar a relação entre segurança e sistema nervoso, mostra que ambientes internos ameaçadores inclusive criados pelo próprio diálogo interno, dificultam estados de calma, conexão e clareza.
Quando você se trata como inimiga(o), o corpo vive em defesa.
*Um ajuste simples, mas transformador
Em vez de propor uma técnica formal, deixo aqui um ajuste de consciência para o dia a dia:
Ao perceber um pensamento autocrítico, pergunte-se:
“Eu falaria isso com alguém que eu amo?”
Se a resposta for não, pause.
Não force pensamentos positivos. Apenas retire o ataque.
Esse pequeno deslocamento já reduz o estado de ameaça interna e abre espaço para respostas mais reguladas.
*Saúde mental é construção cotidiana
Cuidar da saúde mental não acontece apenas em momentos de crise. Acontece nas micro escolhas diárias: no tom interno, no respeito aos limites, na permissão de errar e aprender.
A forma como você se trata em silêncio constrói, pouco a pouco sua base emocional. E nenhuma prática externa sustenta equilíbrio quando o ambiente interno é hostil.
Se você percebe que vive em constante cobrança, culpa ou exaustão emocional, isso não é falta de força — é um sinal de que seu sistema emocional precisa de reorganização e cuidado.
Meu método integra Terapias Integrativas + Reprogramação Emocional + Suplementação Personalizada, auxiliando na construção de mais segurança interna, autorregulação e equilíbrio emocional, respeitando sua história e individualidade.
Agende sua sessão e comece a transformar a relação mais importante da sua vida: a relação consigo mesma(o).
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Saúde mental começa dentro.
Referências
• Siegel, D. J. Mindsight. Bantam Books, 2010.
• Porges, S. The Polyvagal Theory. Norton, 2011.
• Neff, K. Self-Compassion. William Morrow, 2011.
• Goleman, D. Inteligência Emocional. Objetiva, 2012.
• Gilbert, P. The Compassionate Mind. New Harbinger, 2009.
• Estudos sobre autocrítica, diálogo interno e regulação emocional – PubMed, 2019–2024.



