Por Paulinho Goetze
@paulinhogoetze
Deus é um mistério, isso não é nenhuma novidade. Desde que os seres humanos entenderam “divindade”, as representações de Deus dividem opiniões. Cada religião criou a sua imagem de quem ou o que é Deus. Mas, e se todos estiverem certos? E se nenhum estiver? Bem, mas este artigo não é somente sobre Deus, que é uma característica cultural importante dos povos e indivíduos.
Nesta segunda-feira, a Rede Globo exibiu o filme “A Cabana”, de 2017, inspirado no livro Best Seller homônimo lançado por William P. Young em 2007. O filme conta a história de Mack Phillips que, após ter sua filha sequestrada e assassinada, perde a fé e a crença em Deus. Alguns anos mais tarde ele recebe um bilhete misterioso deixado na sua caixa de correio pedindo para que ele volte à cabana onde ocorreu o crime pois lá encontrará uma surpresa. Ele vai até lá e ocorre um encontro especial. Mack encontra com a unidade de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo). As representações são muito interessantes: Deus é uma mulher negra vivida pela excelente atriz Octavia Spencer. Só essa personagem já seria uma grande lição para a humanidade, já que as representações de Deus sempre são masculinas, ainda que tal divindade seja criadora, traço que geralmente é atribuído ao feminino. Para além dessa visão, é uma grande resposta à sociedade racista.
Segundo o site “Observatório do Cinema”, “nos Estados Unidos, a Igreja Metodista Unida não aprovou a história de “A Cabana”. O motivo é que a trama ‘não usa os ensinamentos bíblicos’. Na época de lançamento de “A Cabana”, o pastor Ben Matherly usou o Facebook para criticar a trama. Além disso, usou citações de um colega, Albert Mohler Jr. que fez críticas ainda ao livro. A acusação é de que “A Cabana” usa uma interpretação livre. Uma das reclamações é uma frase do personagem Deus do livro que ficou famosa: ‘Eu não preciso punir o pecado, não é meu propósito punir o pecado’. Matherly e Mohler defendem que a consequência do pecado é a morte e a perda da vida eterna”.
Na minha opinião, não se trata de um filme religioso ou sobre religião. No espiritismo, que é a doutrina que sigo há 20 anos, por exemplo, não existe pecado e nem punição. Existe equívoco e consequência. E a morte não é punição, é renovação, recomeço, e é o destino de todas e todos nós, por isso não é vista como algo negativo. Afinal, que Deus amoroso é esse que nos criaria para morrer sendo a morte algo ruim?
Durante todo o filme, lições vão sendo ensinadas de forma a nos fazer pensar, refletir sobre nós mesmos e sobre nossas ações. O principal ensinamento é sobre o perdão. Sem dúvidas é o que fica mais latente.
Outra lição que achei importante é sobre o certo e errado. Segundo o exposto no filme, nós tendemos a fazer o papel de Deus, julgamos as pessoas sem conhecê-las, julgamos as ações dos outros, entretanto, é importante que olhemos para nós mesmos e nos reconheçamos também como seres falhos. O meu ponto de vista pode não ser tão certo para você, e vice-versa. O ‘meu’ certo não é mais certo que o ‘seu’, é apenas diferente, e os grandes conflitos acontecem em nossas vidas pela falta de entendimento e respeito.
Deus (ou como você quiser chamar, da forma que você imaginar) está sempre por perto.
Não se trata de religião… se trata de reflexão e aprendizado.
Se você não assistiu ainda, vale muito à pena!
Até a próxima quarta!
Fontes:
Imagem 1: Site Observatório do Cinema, publicado em 21 de setembro de 2020


