Por Natalia Toneto – Psicóloga.
No artigo da semana passada eu mencionei que falaríamos da diferença entre tristeza e depressão. Então vamos começar compreendendo separadamente o que é cada uma, assim fica mais fácil a compressão e a conclusão do nosso tema.
Tristeza:
• Existe um fator/causa, como por exemplo, perder o emprego, terminar um relacionamento, perder um ente querido.
• Mesmo que esteja sentindo tristeza e com os pensamentos um pouco mais dispersos e os comportamentos mais lentificados e sensação de “desânimo”, o indivíduo ainda reage a rotina.
• Reage a estímulos positivos, por exemplo, rir de algo engraçado, ver amigos, ter momentos de autocuidado, mantém compromissos.
• Tem duração de horas ou dias.
• Tem menos intensidade.
• E com o tempo melhora.
A emoção tristeza é inerente a todo ser humano e senti-la é fundamental para que também possa haver mudança de comportamento. Marsha Linehana, autora responsável em desenvolver a Terapia Comportamental Dialética – DBT diz que, “[…] A dor não pode ser evitada; é a maneira que a natureza tem de sinalizar que alguma coisa está errada” (LINEHAM, 2018, p. 342). Ou seja, é a forma do nosso corpo sinalizar que algo está acontecendo e muitas vezes precisaremos observar e acolher as nossas emoções, por mais desconfortáveis que elas sejam!
Agora que já compreendemos melhor o que é a tristeza, vamos observar as diferenças da depressão.
Depressão:
Segundo a American Psychiatric Association (Manual Estatístico de Transtornos Mentais – DSM – 5 – TR) (2023), a depressão pode ser caracterizada pelos seguintes critérios diagnósticos: cinco ou mais dos seguintes sintomas estiverem presentes durante o mesmo período de duas semanas e representam uma mudança no funcionamento anterior; pelo menos um dos sintomas é (1) humor deprimido ou (2) perda de interesse ou prazer.
Nota: não incluir sintomas nitidamente devidos a outra condição médica ou um “motivo aparente”.
1. Humor triste ou deprimido na maior parte do dia, quase todos os dias (p. ex., parecer choroso, sentir-se triste, vazio, sem esperança). (Nota: Em crianças e adolescentes, o humor pode ser irritável.)
2. Acentuada diminuição de interesse ou prazer em todas ou em quase todas as atividades na maior parte do dia, quase todos os dias.
3. Perda ou ganho significativo de peso sem estar fazendo dieta. Aumento ou diminuição do apetite quase todos os dias.
4. Insônia (dificuldade para dormir) ou hipersonia (dormir mais do que o habitual) quase todos os dias.
5. Agitação ou retardo motor quase todos os dias.
6. Fadiga ou perda de energia quase todos os dias.
7. Sentimentos de inutilidade ou culpa excessiva ou inapropriada, quase todos os dias.
8. Capacidade diminuída para pensar ou se concentrar, ou indecisão, quase todos os dias;
9. Pensamentos recorrentes de morte (não somente medo de morrer), ideação suicida recorrente, sem um plano específico, um plano específico de suicídio ou tentativa de suicídio.
Podemos ver aqui que a depressão é além da tristeza e traz para o indivíduo transtorno significativo em sua rotina. Embora a depressão tenha a presença da emoção tristeza, ela (depressão) vai além de só sentir, todo o funcionamento cognitivo e comportamental da pessoa com esse diagnóstico está comprometido e seus sintomas podem ser considerados como: leve, moderado e grave. Havendo a possibilidade de tratamento medicamentoso e com certeza psicológico, para a reorganização das funções neuroquímicas (cérebro e hormônios) e assim ajustar os comportamentos que chamamos de ativação comportamental na Terapia Cognitiva Comportamental – TCC.
Caso você ou alguém que você conheça esteja com os sintomas relatados acima, busque ajuda de profissionais da área da saúde mental. Caso queira entrar em contato diretamente comigo, é só buscar por @psi.nataliatonetolima, será um prazer falar com você!
Abraços e até breve!
Referencias:
American Psychiatric Association. (2023). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 TR (5a ed.; D. Vierira, M. V Cardoso e S. M.M. Rosa., Trad.). Porto Alegre, RS: Artmed.
Treinamento de habilidades em DBT: manual de terapia comportamental dialética para o paciente / Marsha M. Linehan; tradução: Daniel Bueno; revisão técnica: Vinícius Guimarães Dornelles. – 2. ed. – Porto Alegre: Artmed, 2018.



