Por Natalia Toneto – Psicóloga
Frequentemente ouço essa pergunta. Embora eu não seja médica psiquiatra, eu trabalho com psicologia baseada em evidencia (ciência). Ou seja, baseio os meus estudos e atendimentos no que os artigos científicos apontam como tratamentos eficazes e, por mais que eu seja psicóloga, a psicologia tem ganhado espaço significativo em estudos e nos protocolos para tratamentos como depressão, ansiedade, transtorno afetivo bipolar e transtornos de personalidade, como por exemplo, TPB (transtorno de personalidade borderline). Tá! Mas o que os remédios psiquiátricos têm a ver com isso? Muita coisa, afinal quando é identificado o diagnóstico psicológico/psiquiátrico, em casos específicos, o que vai auxiliar temporariamente ou durante toda a vida são as composições químicas que os fármacos (remédios) possuem. Vou colocar aqui alguns exemplos. Você conhece alguém que toma remédios para dormir, ou até mesmo para o quadro de depressão e ansiedade? Então, esses remédios não são dados por um acaso, como eu já mencionei no artigo sobre depressão. As funções neuroquímicas estão de uma forma disfuncional, que pode ser produzindo químicas/hormônios a mais ou a menos, não deixando o paciente em estado basal (é o estado “normal” do humor, sem variações que prejudiquem o indivíduo), ou seja, o objetivo da medicação é poder fazer com que o indivíduo tenha melhora significativa e volte a ficar estável no seu humor, podendo assim fazer suas atividades diárias sem perdas significativas.
Assim como uma pessoa que tem pressão alta (hipertensão) ou diabetes precisa de medicações para estabilizar e manter-se estável fisicamente, as medicações psiquiátricas também fazem isso. Eu sei que existem muitos mitos sobre essa temática e às vezes é confuso, além do medo de ficar viciado. E eu jamais deixaria de considerar esses receios, mas estou aqui para pensarmos juntos sobre esse tema e poder desmistificar, pois muitas pessoas perdem significativamente sua qualidade de vida porque acreditam que estar medicado é horrível, ou que nunca mais vai parar de tomar medicações e, pior, aquelas que realmente precisam de estabilizadores de humor, como no diagnóstico de TAB – Transtorno Afetivo Bipolar, sentem-se envergonhadas em ter que depender da medicação para ficarem estáveis, gerando pensamentos como: “sem a medicação então não sou eu”, ou, “que vergonha saber que para ficar bem eu preciso me medicar. O que as pessoas irão pensar se souberem? Pensarão que sou louca!”
Loucura, esse termo tantas vezes pejorativo, acorrenta as pessoas nos julgamentos de certo e errado sobre saúde mental e muitas vezes quem julga ou discrimina uma pessoa por buscar ajuda psiquiátrica e psicológica está tão ou até mais necessitado de ajuda do que a pessoa que já está no processo.
Tomar medicações vai além de só receber a receita, comprar e pronto. Existe todo um acompanhamento, as consultas regulares com o/a psiquiatra e o acompanhamento psicoterapêutico precisam estar em dia, assim fica mais fácil de organizar a rotina, os efeitos colaterais, caso tenha e até mesmo ajustar as doses, caso necessário. Busquem lembrar que o nosso corpo às vezes precisa de manutenções, assim como um carro que precisa ser revisado, e tem troca de óleo, pneus, faróis etc., nós também precisamos e isso se diz a todo o corpo. Embora aqui eu esteja para falar sobre saúde mental, não é possível descartar os cuidados com as outras áreas. Afinal, você é um só e carrega um mundo dentro de si.
Caso tenha dúvidas sobre esse tema ou outros que envolvam a psicologia, fico à disposição para esclarecer. Você pode entrar em contato comigo pelo @psi.nataliatonetolima. Será um prazer falar com você!
Abraços e até breve.



