Por Natalia Toneto – Psicóloga.
Vejo muitas pessoas postando em suas redes sociais fotos de suas atividades diárias, como ir à academia, encontrar amigas (os), fazer compras, tomar uma taça de vinho ou uma cerveja gelada, acompanhadas da legenda: “Isso é a minha terapia”. Não, isso não é terapia!
Estar em um processo de psicoterapia exige muito mais do que apenas encontrar amigos, tomar uma cerveja gelada ou passar duas horas na academia. Essas atividades podem ser terapêuticas — e de fato são — assim como fazer crochê, costurar, dançar ou correr. Poderia listar diversas práticas que envolvem autocuidado e que são terapeuticamente benéficas. Mas, afinal, o que é psicoterapia?
O que é psicoterapia?
O termo terapia refere-se a um conjunto de práticas, métodos ou intervenções utilizadas para tratar, aliviar ou melhorar condições de saúde física, mental, emocional ou espiritual. Seu objetivo principal é promover o bem-estar, restaurar o equilíbrio ou a funcionalidade, e oferecer suporte em momentos de dificuldade ou sofrimento.
Existem diferentes tipos de terapia, dependendo do contexto e do propósito:
- Terapia médica: Tratamentos para doenças físicas, como medicação, cirurgia ou fisioterapia.
- Terapia psicológica ou psicoterapia: Focada em questões emocionais e mentais, com abordagens como a terapia cognitivo-comportamental, psicanálise ou terapia humanista.
Existem muitas outras terapias, mas, como citado acima, o conjunto de métodos ou intervenções utilizadas em um processo terapêutico tem como objetivo ajudar uma pessoa a se sentir mais preparada para lidar com sua rotina e seus desafios. Isso inclui o planejamento de ações que promovam o bem-estar do paciente.
Por exemplo, ter um tempo para ler e tomar um café pode gerar prazer e felicidade; portanto, é terapêutico. Caminhar na beira da praia e contemplar o pôr do sol também pode trazer bem-estar e relaxamento. Contudo, é importante lembrar que essas atividades terapêuticas só são realmente efetivas quando estão acompanhadas por um trabalho profundo e consistente com questões emocionais significativas.
O valor da psicoterapia
Muitas pessoas passam a vida sem conhecer verdadeiramente a si mesmas. Muitas vezes, sequer conseguem descrever o que pensam ou sentem. Isso ocorre porque crescemos em uma sociedade que ainda associa psicologia e psiquiatria a “coisa de gente doida”. Mas, na realidade, o que é mesmo “doido” é ignorar o quanto o autocuidado e o autoconhecimento impactam positivamente nossa saúde mental e emocional.
Por exemplo, você sabia que várias reações neuroquímicas acontecem em nosso corpo quando praticamos atividades que promovem bem-estar? E os benefícios são incríveis! Veja os principais “hormônios da felicidade” e como eles atuam:
Os chamados hormônios da felicidade, prazer e satisfação são substâncias químicas produzidas pelo corpo que influenciam diretamente nosso humor, bem-estar e emoções. Eles desempenham papéis essenciais na regulação do comportamento e das respostas emocionais. Os principais são:
- Dopamina
Função:
- Associada à motivação, recompensa e prazer.
- Promove a sensação de realização e bem-estar quando atingimos objetivos.
Como estimular:
- Praticar exercícios físicos.
- Cumprir metas (mesmo pequenas).
- Ouvir músicas que você gosta.
- Experimentar algo novo ou desafiador.
- Serotonina
Função:
- Regula o humor, o sono e o apetite.
- Contribui para a sensação de felicidade e calma.
Como estimular:
- Exposição à luz solar.
- Alimentação rica em triptofano (presente em bananas, nozes e ovos).
- Meditação e práticas de mindfulness (atenção plena).
- Atividades ao ar livre.
- Endorfina
Função:
- Atua como analgésico natural, reduzindo a dor.
- Promove relaxamento e prazer, especialmente após esforço físico.
Como estimular:
- Exercícios intensos (ex.: corrida, dança).
- Rir e socializar.
- Comer alimentos picantes ou chocolate amargo.
- Ocitocina
Função:
- Conhecida como o “hormônio do amor”, está relacionada à conexão e confiança.
- Importante para vínculos emocionais e sociais.
Como estimular:
- Abraçar ou ter contato físico com alguém.
- Demonstrar e receber carinho.
- Praticar gentilezas e empatia.
Esses hormônios, quando equilibrados, proporcionam um estado de satisfação e bem-estar. No entanto, nenhuma dessas atividades substitui o autoconhecimento adquirido em um processo de psicoterapia. Atividades terapêuticas podem ser prazerosas e momentâneas, mas conhecer a si mesmo, ter consciência de quem você é e aprender a lidar com suas emoções demandam manutenções diárias, conversas semanais e muita psicoeducação para romper padrões e ciclos.
Se você gostou desse tema e deseja conversar mais sobre ele, pode me encontrar no @psi.nataliatonetolima. Será um prazer trocar ideias com você.
Abraços e até breve!



