Por Natalia Toneto – Psicóloga.
Como todo começo de ano, começamos com promessas de que tudo vai ser diferente e que a lista de metas e objetivos serão cumpridas com sucesso! Ok, mas quantas vezes você fez listas kilométricas, com inúmeros objetivos, começou alguns e outros sequer deixam de ser só um item em sua lista? Sim, eu sei, várias vezes. E o que mais falamos é: “Nossa! Eu procrastino muito!” ou “bate uma preguiça… Eu até começo, mas terminar é difícil. Eu perco o foco”. Ah essa tal procrastinação… Ela é a vilã das rotinas e carrega consigo o “açoite da culpa”, ou melhor, da autoculpa, autojulgamento e autodepreciação.
É, eu sei. Essas palavras nada têm de bonitas ou acolhedoras, mas vem cá: nós aprendemos a nos acolher? A ter autocompaixão? Não, não aprendemos! Vivemos em uma sociedade que nos cobra a cada segundo sobre produzir constantemente e ai daquele que não produzir! Sabe aquela frase: trabalhe enquanto eles dormem? Essa bem coaching? Então, ela só te ajuda a te adoecer. Ter frequência é diferente de ter intensidade, embora elas possam se encontrar em algumas atividades ou situações de vida, ainda assim não significa que elas precisam estar o tempo todo juntas e nem que isso seja saudável. Por exemplo, você pode ter uma frequência de ir à academia, mas TODAS as vezes você sentiu emoções intensas para ir? Não, com certeza houve aquele dia que você só foi e nem prestou atenção se estava muito feliz e empolgada (o) ou com preguiça demais, simplesmente você foi.
Na minha opinião e em tudo que estudo sobre mindfulness – atenção plena – tudo que tem exageros não é saudável, precisamos encontrar a nossa “mente sabia”, o caminho do meio, estar disposta (o) a encontrar o equilíbrio. “Ah Natalia, mas como faz isso? Falando é fácil”. É, você tem razão. Falando é fácil, mas criando rotinas, cria-se hábitos e isso também é treino. Vamos pensar fora da caixa, ok? Anote em uma folha ou no bloco de notas do seu celular/computador as seguintes perguntas:
Quando foi que eu comecei com o hábito de me autocriticar e me comparar com as outras pessoas?
Quando foi que eu comecei a acolher, ajudar e elogiar as pessoas a minha volta, mas nunca faço isso por mim?
Acredito eu que responder essas duas perguntas não foi nada fácil e que com certeza você parou para pensar tanto que nem conseguiu escrever. Isso é porque fomos criados em uma sociedade que acredita que motivar alguém precisa estar carregado de críticas e, como crescemos com este HÁBITO, fazer diferente exige técnica e treino. É como “puxar os pesos na academia”, não é mesmo? (uma piscada de olho e um sorriso de canto de boca, como se diz: é eu te peguei! – Sim, essa autora gosta de usar a irreverência terapêutica).
Você quer mesmo manter o foco em suas metas de começo de ano e fazer valer aquela frase: “tenho 365 dias novinhos para fazer diferente”? Então comece por você! Sim, comece cuidando da sua saúde mental e emocional, aprendendo os cuidados primários com você. E isso você só pode aprender na psicoterapia. E nem me venha com a frase “eu não preciso disso” ou “academia é a minha terapia”. Isso pode ser terapêutico, como já expliquei na matéria: “É terapêutico, mas não é psicoterapia!” que está aqui no portal Som de Papo. As atividades físicas em geral, dentre outras com certeza te ajudarão, mas nunca substituirão o espaço seguro e o auxílio que a psicologia pode te dar para que “dentro” de você as coisas estejam mais organizadas a ponto de você seguir suas metas de forma mais tranquila e focada, sem tanto autojulgamento. Afinal, cada um de nós tem um tempo e condições ambientais diferentes e conseguir atingir certas metas exige muito mais do que só criar uma lista. Precisamos quebrar correntes emocionais e principalmente precisamos nos acolher mais para que tenhamos “combustível” o suficiente para levantar e tentar sempre que necessário. A questão aqui não são as tentativas, mas sim as desistências com autopunição e sem autocuidado com a saúde emocional.
Caso queira falar comigo sobre esse tema ou outros, você me encontra no @psi.nataliatonetolima, será um prazer falar com você.
Eu te desejo um feliz ano novo e que 2025 seja cheio de VOCÊ! Abraços e até breve.



