Por José Carlos da Cruz
Psicólogo – psicologia analítica (Jung), Professor
Cada um tem uma visão individual e intransferível de mundo, que é constituída pelas experiências de toda a vida, isto significa, que a cada nova experiência e novo aprendizado, esse mundo é modificado.
O mundo que é visto, reflete quem o individuo é, porque ninguém pode vê-lo sem que veja a si mesmo; o fato dele ser mutável, torna o ser que o habita, também mutável.
Quem vê o mundo, vê a si mesmo; se o mundo é visto pelos olhos da massa, quem molda o indivíduo é a massa.
Jung diz que é fatal para alguém, não ter uma cosmovisão, melhor, não ter uma atitude ativa em relação ao mundo, porque está sujeito a manipulação; quem a tem desenvolvida, recusa qualquer conhecimento sem que haja uma hipótese bem fundada, detesta suposições infundadas, afirmações arbitrárias e opiniões autoritárias, como já foi afirmado em outro momento, quem caminha para a individuação, que é o conhecimento de si mesmo, a SELF, escolhe e decide por si próprio a direção que vai seguir, enxerga o mundo pelos seus próprios olhos e não pelos da massa.
Neste lugar, o indivíduo cria por si só, uma imagem do mundo, diga-se, ilusória, e pelo fato de ser incapaz de saber o que o mundo é completamente, é confrontado acirradamente pela realidade e, portanto, se recusa a manter-se inerte, por compreender que qualquer saber humano está sujeito a ser incompleto e até mesmo errado, evitando a petrificação da sua consciência.
O movimento a ser produzido continuamente é o de se aproximar ao máximo do mundo ideal, vivendo a realidade do momento exato que se denomina o aqui agora; dizimando assim a auto decepção, pela adaptação continua as novas realidades e fisionomia do mundo.
Cada nova descoberta e aprendizagem, mobiliza as funções psíquicas, para uma nova adaptação, talvez, por isso, é necessário que seja desenvolvida uma cosmovisão bem fundamentada e alicerçada, para que possa resistir aos fenômenos modeladores e efeitos devastadores das nuances da própria existência.
A natureza humana resiste as mudanças, porque busca incessantemente o cômodo, o seguro, evita aventurar-se; a cultura incutiu na mente do ser, que mais vale apena um pássaro na mão, do que dois voando, com isso, conseguiu inutilizar a criatividade e ousadia, colocando uma nuvem diante dos olhos, criando um pensamento limitado, escravizando aquele que se recusa a erguer os seus olhos ou a olhar para o outro lado, aceitando a própria condição medíocre e limitante.
Essa coluna, tem como objetivo desafiá-lo a se movimentar, a recusar as crenças rígidas, a desenvolver uma identidade, isto tudo, conscientemente, despertando para uma nova realidade sobre si mesmo, porque a vida segue na direção do desenvolvimento, sem uma cosmovisão, o indivíduo estará sujeito a adotar uma atitude que representa a massa e não a si mesmo.
Para concluir este artigo, aceite o novo, ouse viver o novo, descubra o novo e adapta-se ao novo, para que possa viver o melhor do melhor de si, do mundo, do ambiente e ter assim, uma boa vida.



