Por José Carlos da Cruz
Psicólogo, professor e teólogo, abordagem integrativa, predominante a psicologia analítica. Terapia individual, grupos, casais e palestrante; atendimentos online por todo o Brasil.
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Heidegger diz que se compreende o ser (eu), por mais que falte o conceito, a partir da consciência da existência, e a existência fica exposta no que se sente, a vivência diária é a maneira primordial de existência.
A vida é vivida no aqui e agora, no que sente do momento atual, mesmo antes de racionalizar qualquer pensamento, a sensação e intuição vão ser determinantes no processo de formular o querer e ações.
Uma das grandes controvérsias é a ideia do ter e ser, a personalidade deveria ser marcada, pelo que ela é, ao invés de ser valorada pelo que mostra ser.
Quero neste texto, olhar para o eu que é, este que tem algumas características, que a Forghieri descreve como o ser que existe no mundo, que existe em três dimensões, minimamente, uma é a existência preocupada, que pode ser classificada como leve ou intensa; outra é a sintonizada, que é descrita por ela, como aquela que é relacional, que se deixa tocar pela natureza, por uma música, por uma pessoa, caracteriza os momentos de paz; e por fim, ela fala da existência racional, que se caracteriza pela concretude das coisas; isso acontece no mundo que o cerca; na humanização deste, que diz respeito as relações interpessoais e no seu recôndito mais profundo.
O maravilhoso no ser humano, que o faz único, é que tudo acontece simultaneamente, num emaranhado de sensações e reações, pensamentos e percepções, intuições e ações, sentimentos e intenções; o eu (ser) fica no meio como uma marionete, que vai conquistar autonomia e liberdade, quando experimentar a unicidade em meio multiplicidade cultural das relações.
Neste momento de descoberta de si mesmo, o ser deixa de valorizar o ter, passando a fazer suas escolhas independente do mundo que o cerca, no entanto, o valoriza, porque entende que faz parte deste mundo, assim sendo, se propõe a ser favorável ao invés de se opor a tudo e a todos.
Este cenário propicia a angústia, que invariavelmente tem sua origem na abstração, neste momento, o ser racional, suplanta a criança que está em nós, reagindo desesperadamente e elabora, concretiza a ideia, dando forma a angústia, viabilizando as condições para criar os recursos necessários para suportar e superar o momento de sofrimento.
Conclui-se que o ser emocional, racional e incluindo o ser espiritual, que não foi discutido aqui, vivem numa simbiose, interagindo um com o outro o tempo todo, como sendo um só, o que de fato é.
Portanto, o eu real na real, sente, racionaliza, vive todas essas experiências ao mesmo tempo e no momento presente.
Referência
Forghieri Y.C. Psicologia Fenomenológica: Fundamentos, Métodos e Pesquisa – São Paulo – Pioneira Thomson Learning 2002
Heidegger M. (1962) – O ser e o tempo, Petrópolis – Vozes, 1988 (2ª Edição)



