Por Karina Gubernati
@karinagubernatiarquiteta
Há poucas semanas atrás, o cantor João Gomes declarou em suas redes sociais que encontrou dificuldade em encontrar arquitetos para fazer o projeto de sua casa, em um condomínio de alto padrão, em Pernambuco, Recife.
João Gomes desejava uma casa com características tradicionais do sertão, como um grande alpendre, que refletisse sua identidade nordestina. Mas, segundo ele, alguns arquitetos recusaram a ideia e sugeriram que a moradia deveria seguir o padrão das outras casas do condomínio – declaradas mais quadradas e mais “modernas”.
A situação gerou um grande debate nas redes sociais e na mídia sobre a padronização da arquitetura em condomínios de luxo e a importância de projetos que expressem a identidade e o conforto dos moradores, e não apenas seguir tendências e “modas”.
No meu ponto de vista, e segundo o que acredito da arquitetura, o projeto deve agradar o usuário acima de tudo. O bem-estar e o conforto de quem irá utilizar o imóvel é a questão prioritária para o start do projeto.
Uma casa com alpendre para o cantor, reflete uma memória afetiva, provavelmente de sua infância. E essa memória, com certeza irá trazer bem-estar para ele.
Mais do que isso, o projeto de uma edificação deve entender onde o terreno está inserido – o clima, a posição do sol, os materiais da região. Enfim, cada edificação é propícia para um tipo de lugar.
A memória afetiva, a autenticidade, o uso de materiais naturais, o cuidado com o entorno são algumas das estratégias usadas na ARQUITETURA BIOFÍLICA, na qual sou especialista. É uma arquitetura que visa colocar os elementos da natureza na edificação. É uma forma de trazer benefícios para o cérebro e para o corpo, através do espaço construído.
Por outro lado, existem pessoas que nem chegam a avaliar se realmente gostam do estilo que sua casa terá – elas simplesmente desejam pertencer a um grupo (provavelmente de uma elite mais favorecida economicamente). E muitos profissionais entram nesse ciclo sem refletir sobre o próprio repertório, sobre sua autenticidade e, pior ainda, sem ouvir o que o cliente realmente quer.
A arquitetura não é modismo, não é “copia e cola”. O que é bom para um, pode não ser bom para outro.



