Por Dr. Julio Cesar
Médico Veterinário – Especialista em Estética Animal
@nagashimajulio
As redes sociais fazem parte do nosso dia a dia. Vídeos engraçados, desafios virais e “modinhas” envolvendo pets aparecem o tempo todo — e muitos deles acumulam milhões de visualizações.
Mas existe uma pergunta importante que todo tutor deveria fazer antes de repetir algo que viu na internet:
Isso é realmente seguro para o meu pet?
Como médico veterinário, percebo um aumento de situações em que animais são expostos a brincadeiras, desafios ou produtos virais que parecem inofensivos — mas podem causar estresse, medo e até problemas de saúde.
Nem tudo que viraliza é sinônimo de bem-estar.
O problema das tendências virais
Muitas tendências surgem com a intenção de divertir. Porém, os animais não entendem contexto, humor ou encenação. Eles reagem ao ambiente e aos estímulos que recebem.
Alguns exemplos comuns que merecem atenção:
Sustos “engraçados” para filmar a reação do pet
Jogar água ou objetos inesperadamente no animal
Fantasias desconfortáveis apenas para fotos
Sons altos para provocar reações
Forçar comportamentos para gerar conteúdo
O que parece engraçado para quem assiste pode ser interpretado pelo animal como ameaça ou insegurança.
O que acontece no organismo do pet?
Quando um animal é exposto a uma situação de susto ou medo, o corpo libera hormônios do estresse, como adrenalina e cortisol. Em pequenas quantidades, isso é natural. O problema é quando essas situações se repetem ou são intensas.
O estresse frequente pode levar a:
Alterações comportamentais
Queda de imunidade
Distúrbios gastrointestinais
Agressividade
Ansiedade
Ou seja, o impacto pode ir muito além de um “momento engraçado”.
Fantasias e adereços: cuidado redobrado
Vestir o pet pode ser seguro, desde que respeite:
Conforto
Tamanho adequado
Material leve e respirável
Liberdade de movimento
Se o animal demonstra incômodo, tenta remover a roupa ou fica imóvel por desconforto, é sinal de que não está confortável.
A prioridade deve ser sempre o bem-estar.
Receitas e petiscos da internet
Outro ponto importante são receitas “caseiras” que viralizam como alternativas naturais ou milagrosas.
Nem todo alimento é seguro para cães e gatos. Alguns ingredientes aparentemente comuns podem causar intoxicação, como:
Chocolate
Cebola e alho
Uvas
Xilitol
Antes de oferecer qualquer novidade alimentar vista na internet, é fundamental confirmar se é segura.
Como saber se uma tendência é segura?
Antes de reproduzir qualquer conteúdo com seu pet, pergunte-se:
✔️ O animal está relaxado ou demonstra medo?
✔️ Existe risco físico (queda, ingestão, sufocamento)?
✔️ Eu faria isso se não estivesse filmando?
✔️ Isso respeita o comportamento natural da espécie?
Se houver dúvida, o melhor caminho é não fazer.
Respeito é a melhor tendência
Os pets não escolhem participar de desafios ou modas digitais. Eles confiam em seus tutores.
A relação entre tutor e animal deve ser baseada em segurança, previsibilidade e carinho — nunca em exposição ao medo ou desconforto para gerar curtidas.
As redes sociais podem ser um espaço maravilhoso para compartilhar momentos positivos, educativos e responsáveis. Mas o limite entre entretenimento e risco precisa ser bem definido.
Quando procurar orientação?
Se após alguma situação o pet apresentar:
Medo excessivo
Mudança de comportamento
Falta de apetite
Tremores frequentes
Agressividade incomum
É importante procurar avaliação veterinária.
Conclusão
Antes de entrar em qualquer moda da internet, lembre-se:
o seu pet não precisa viralizar — ele precisa estar seguro.
Curtidas passam.
O bem-estar do seu animal deve ser permanente.



