Por João Costa Bezerra
@psi.joaocosta
Ao longo da vida fazemos muitas paradas. Em cada uma delas levamos algo conosco. Essa bagagem representa os recursos internos que desenvolvemos nas relações que construímos, nas leituras que fazemos, nos filmes que assistimos e em tudo aquilo que aprendemos com o ambiente em que vivemos.
Cada experiência deixa marcas em nós. Aprendizados, formas de interpretar o mundo, maneiras de lidar com emoções e desafios. Com o tempo, esses conteúdos se tornam parte da nossa história e também da forma como enfrentamos as situações da vida.
No entanto, muitas vezes esquecemos que nesses mesmos lugares também precisamos deixar algumas coisas para trás.
Quando encerramos ciclos importantes — como o fim de um relacionamento, a saída de um trabalho, o distanciamento de amizades ou até mesmo a mudança de um ambiente conhecido — é fundamental fazer uma pausa. Esse momento permite organizar a experiência: reconhecer o que foi aprendido, o que foi perdido e quais padrões foram construídos ao longo daquele percurso.
Algumas adaptações que desenvolvemos surgem como estratégias de sobrevivência diante de contextos difíceis. São respostas que fizeram sentido em determinado momento, mas que nem sempre continuam funcionais ao longo do tempo. Com o passar da vida, torna-se importante perceber quando já não estamos mais em um contexto de ameaça e podemos reorganizar nossa forma de viver.
Deixar certas experiências para trás pode abrir espaço interno para novas interpretações e novas possibilidades de ação. Muitas vezes, aquilo que precisamos soltar não são apenas circunstâncias externas, mas emoções que permanecem ativas dentro de nós, como a frustração, a raiva, o ressentimento ou expectativas que já não fazem mais sentido.
Na perspectiva da saúde mental, reconhecer o que precisa ser levado adiante e o que precisa ser deixado para trás é um exercício importante de autoconhecimento e amadurecimento emocional.
Afinal, nem toda bagagem precisa acompanhar toda a nossa jornada. Algumas coisas pertencem apenas a determinados trechos do caminho.
E você, o que precisa deixar para trás para conseguir seguir em frente?
Sobre o autor
João Costa Bezerra é psicólogo clínico e especialista em Saúde Mental. Atua com uma abordagem integrativa, utilizando técnicas da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), Terapia do Esquema, Terapia Comportamental Dialética (DBT) e Psicologia Analítica. Atende crianças, adolescentes e adultos, com foco em regulação emocional, autoconhecimento e desenvolvimento psicológico.
Referências
Beck, J. S. (2013). Terapia Cognitivo-Comportamental: Teoria e Prática. Artmed.
Young, J. E., Klosko, J. S., & Weishaar, M. E. (2008). Terapia do Esquema: Guia de Técnicas Cognitivo-Comportamentais Inovadoras. Artmed.
Linehan, M. M. (2010). Terapia Comportamental Dialética: Manual de Tratamento. Artmed.
Hayes, S. C., Strosahl, K. D., & Wilson, K. G. (2012). Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT). Artmed.
Jung, C. G. (2011). O Eu e o Inconsciente. Vozes.



