Por Cris Oliveira*
@psicoterapeutacrisoliveira
Tem dias em que parece que o mundo está girando rápido demais e a sensação de descontrole toma conta da nossa rotina, não é mesmo? Aquela agressividade que antes víamos apenas em situações extremas, hoje aparece nas pequenas coisas: em uma buzina impaciente no trânsito, em uma discussão nas redes sociais ou até em um desentendimento no trabalho. E é natural nos perguntarmos: o que está acontecendo com a gente?
A neurociência nos ajuda a entender isso com muito acolhimento. A nossa amígdala cerebral, que é como um “alarme” responsável por nos proteger de ameaças, foi muito exigida nos últimos tempos, especialmente com tantas incertezas que vivemos. Quando passamos por tensões coletivas prolongadas, esse nosso alarme fica mais sensível. Na prática, isso significa que o nosso corpo, cansado, acaba reagindo a pequenos estresses do dia a dia com a mesma intensidade de quem enfrenta um perigo real.
Viver nesse estado de alerta constante é exaustivo. Ele nos deixa mais vulneráveis a explosões de raiva, à impulsividade e àquela sensação de que estamos sempre frustrados. Quando não damos ao nosso cérebro um espaço seguro para descansar e se recuperar, nosso equilíbrio emocional fica fragilizado. A linha entre uma reação natural e uma desproporcional acaba ficando muito fininha.
Mas a boa notícia é que podemos cuidar disso com carinho. O primeiro passo é olhar para si mesmo com gentileza e reconhecer os sinais: noites mal dormidas, uma irritação que não passa ou até uma falta de vontade de fazer as coisas podem ser o seu corpo pedindo ajuda. Buscar formas de regular essas emoções é um ato de amor-próprio. Práticas como a meditação, o acompanhamento terapêutico e exercícios neuróbicos são caminhos maravilhosos para resgatar a sua paz. Mais do que nunca, o autoconhecimento é o nosso maior aliado. Afinal, quando entendemos com clareza o que se passa aqui dentro, ganhamos a liberdade de escolher como agir, antes que a emoção tome as rédeas.
*Psicoterapeuta, Hipnoterapeuta, Pós Graduada em Neurociências e Mestranda em Neurociências



