Devorar Você!
* Por Poetisa Thaisy Moraes
Instagram: @thaisymoraespoetisa
A ânsia de amar pede pressa. Devora as horas tão desesperadamente, que causa angústia a esses românticos. Aquele que ama apressado não sabe amar no limite, amar com medida. Se afoga, se entope e quer mais! Não há o que se diga! Não há o que fazer! Apenas amar sem demora faz sentido. A pressa, a ânsia, a angústia de sentir e ter é tudo que se conhece e tudo que existe.
É lição convicta que os dias são curtos para quem ama sedento e para aquele que se aquece em seus braços e que as noites, longas, para os que sentem saudade. Mas, a fome de presença do ser em questão é diária e em doses elevadas. Sufocar, pode ser que aconteça. Gritar sentimentos faz parte do enredo. Mas, quem é capaz de julgar a sandice e diagnosticar a tão voraz estupidez?
É, leitor… isso é amor por si próprio! É um narcisismo de espírito, que devora de forma sutil. Não parece leve, não parece doce, não parece belo. Este é o amor egoísta, leitor! Ele se nutre das mazelas da alma, das tolices vividas, mas não corrigidas. Então, não se deixe enganar pelo transbordar da emoção. Há de se lapidar o seu coração para reconhecer o amor que se basta na manhã de segunda, que se completa no sorriso de alguém. O amor presente no choro copioso.
O amor verdadeiro é sentido no silêncio da contemplação, na rotina dos enamorados. Para o amor genuíno, é simples deitar-se e dormir ao lado de quem se ama e é sempre ditoso viver os seus dias na sua presença. O amor genuíno, caro leitor, completa, não subtrai. Preenche, não esvazia. Acalma, não enfurece. Ele é leve, é doce e é belo, naturalmente, sem esforços ou máscaras.
É, meu amigo… o amor não é jogo! Não é lance perfeito e nem jogada de mestre. No amor, não há pênalti e nem tabuleiro. Na paixão, eu já não sei, não me lembro; faz tempo. Porém, de fato, o amor é vivido às claras, sem estratégias. O amor genuíno é presente e forte. Mas, ele também é fácil, é bom, é completo em si.
*Thaisy Moraes é servidora pública municipal responsável pelo setor de Patrimônio do Município de São Carlos/SC, biomédica formada pela Universidade Federal do Piauí (UFPI), escritora e poetisa há 13 anos: “Escrevo há treze anos sobre tristezas e alegrias, e belezas e feiuras, tão presentes em nossa condição humana.”


