Por: Clariana Grosso
@psicologaclariana
Whatsapp: (11) 992245401
“Maria” chega ao consultório e traz a seguinte queixa: “ sinto-me sempre cansada, sobrecarregada, angustiada, ansiosa e preocupada. Parece que não tenho tempo pra mim e também não sou reconhecida pelos meus esforços.”
Há um tipo de sofrimento que não costumamos identificar com facilidade ou ser dito abertamente a alguém. Mas há muitas pessoas que acabam tendo o hábito de agradar o outro no cotidiano e na maioria das vezes não percebe o quanto está se deixando de lado. Elas gostariam de dizer não, mas geralmente dizem sim, moldando-se às expectativas alheias e aos poucos vão afastando se de seus próprios desejos.
Na psicanálise, esse movimento não é visto como fraqueza, mas como um modo de funcionamento psíquico que tem raízes profundas na história emocional de cada sujeito.
De acordo com cada história, vivência e disponibilidade emocional, esse perfil de pessoas, na maioria das vezes, podem desenvolver baixa autoestima, insegurança, tristeza e sentimento de menos valia por desejar e fantasiar que “o outro” olhe para ela e reconheça a quanto merece.
Segundo Winnicott, isso é reconhecido como o conceito do falso self, que é quando o ambiente falha em acolher espontaneamente as necessidades emocionais da criança e ela desenvolve uma espécie de “máscara adaptativa.” sendo um modo de ser voltada a satisfazer o outro, em detrimento da sua autenticidade (verdadeiro Self). Na vida adulta, isso se manifesta como dificuldade de reconhecer seus próprios desejos, sensação persistente de vazio ou desconexão.
Então, agradar não é o problema, pois o laço social exige empatia e flexibilidade. O sofrimento começa quando agradar, deixa de ser algo natural e passa a ser uma necessidade compulsiva, em razão do medo de abandono e rejeição. Na maioria dos casos, do ponto de vista clínico, esse padrão costuma vir acompanhado da dificuldade em estabelecer limites. Dizer “não”, pode evocar angústias primitivas como perda do amor ou rompimento de vínculos importantes. Por isso, muitas vezes a pessoa prefere adaptar-se, ainda que isso implique frustração, ressentimento ou esgotamento emocional.
Retomar o contato consigo mesmo é um processo que exige tempo e, sobretudo, escuta. A psicoterapia propicia esse espaço para olhar, reconhecer suas repetições, compreender a origem de seus conflitos e aos poucos construir uma posição mais autêntica diante do desejo.
Há uma pergunta interessante a ser feita: A quem tento agradar? outra: E a que custo? Refletir sobre essa questão é um gesto de cuidado consigo mesmo. Porque, no fim das contas, uma vida vivida apenas para o outro corre o risco de nunca ser, de fato, vivida por quem habita.
Clariana Grosso
Psicóloga Clínica
Formada pela Centro Universitário Uni@
Atuante na área clínica há 20 anos
Cursando Especialização na área Perinatal
Atendo adultos online e presencial.
Faço parte da Ong Maio Furta Cor


