Por Jéssica Monteiro Lima
@ psicologa_jessicamonteirolima
Ela segurava o teste positivo nas mãos e não sabia exatamente o que sentir.
Não estava tentando engravidar.
Não estava se preparando para isso.
E, naquele momento, enquanto todos ao redor falavam em “bênção”, o que ela sentia era medo.
Quero dar as boas-vindas a você que chegou até aqui, essa é a primeira publicação da coluna de Psicologia Perinatal. A minha proposta é despertar a sua curiosidade, promover reflexões, conhecimentos e ampliar conversas sobre assuntos que ainda na nossa sociedade de hoje são pouco falados como: a saúde mental da mulher, do homem, do casal e da família quando se trata do planejamento familiar, jornada da fertilidade, gestação, puerpério, maternidade e paternidade.
Existe uma expectativa de que a mulher grávida se sinta plena, feliz, radiante, realizada e profundamente conectada ao bebê. No Brasil, mais da metade das gestações não são planejadas, na prática clínica ouço muitas histórias de muitas mulheres, que se sentem culpadas por não se sentirem plenamente felizes durante a gestação, e não se sentem acolhidas para falar sobre seus sentimentos sem julgamentos.
Estudos apontam que uma parcela significativa de mulheres apresenta sintomas de ansiedade ou depressão ainda na gestação, por isso é tão importante falarmos sobre isso.
Hoje no Dia Internacional da Mulher, celebramos conquistas, falamos sobre força, e superação. Mas pouco se fala sobre exaustão, medo, ambivalência e sofrimento silencioso especialmente na maternidade. Talvez também seja um momento de perguntar: estamos acolhendo as mulheres quando a experiência da maternidade não começa com alegria imediata?
Não faz tanto tempo que psicólogos no Brasil começaram a olhar para as emoções que envolvem a gravidez e o pós-parto de forma específica. O termo psicologia perinatal também é mais recente, e trata-se do campo da psicologia que olha para os aspectos emocionais que envolvem o desejo de engravidar, a gestação, o parto e o puerpério e os desafios da maternidade. Ela considera que a maternidade não é apenas um evento biológico, mas também uma experiência psíquica profunda.
Durante a gestação e o pós-parto a mulher não passa apenas por transformações físicas, mas também psicológicas e sociais, e algumas por atravessamentos emocionais intensos. Medos, ambivalências, expectativas, lutos, mudanças de identidade, tudo isso faz parte da experiência de tornar-se mãe.
A maternidade não começa no parto. Ela começa muito antes, nas expectativas, nos medos, nas histórias que cada mulher carrega e no cuidado que oferecemos a ela.
Quando olhamos para a saúde mental da mulher, não estamos falando apenas de sofrimento individual. Estamos falando de vínculos, de famílias e das próximas gerações.
Este será um espaço para conversas necessárias.
Se há temas sobre saúde mental perinatal que você gostaria de ver discutidos, este diálogo pode começar por você.
Fonte: Pesquisa Nacional de Saúde (PNS-2019) e estudos epidemiológicos sobre saúde mental perinatal no Brasil.



