Por Téo Gelson
Passam-se anos e os versos do tema de abertura da novela A Viagem não saem do imaginário do público. Aliás, a obra é uma das mais lembradas pelos noveleiros e completa nesta quinta, 11, 30 anos da estreia.
A novela tem como tema central a vida após a morte, inspirada na filosofia de Allan Kardec, o codificador do espiritismo. O personagem condutor é Alexandre (Guilherme Fontes), um delinquente que se mata na cadeia após ser condenado por roubo seguido de homicídio. Do plano espiritual, ele passa a infernizar a vida de todos que julga responsáveis por seu trágico destino: o advogado Otávio Jordão (Antonio Fagundes), o cunhado Téo (Maurício Mattar) e o irmão Raul (Miguel Falabella).
Enquanto está vivo, Alexandre tem a defesa incondicional da irmã Diná (Christiane Torloni), mulher ciumenta e temperamental, casada com o jovem Téo. Ela implora para o renomado Otávio Jordão defender Alexandre, mas ele se nega e ganha o ódio de Diná. Ao longo do tempo, porém, ele se descobre apaixonado por ela, um amor de outras vidas, que acaba sendo correspondido.
Escrita por Ivani Ribeiro, com colaboração de Solange Castro Neves, a obra é um remake da novela homônima, exibida em 1975, na Tupi, tendo como trio protagonista Eva Wilma (Diná), Ewerton de Castro (Alexandre) e Altair Lima (César Jordão).
Transmitida no horário das 7, A Viagem bateu recordes de audiência e de exibição. Está a caminho da sexta reprise, pois volta à programação do VIVA a partir do dia 22.
O remake de A Viagem foi a última novela de Ivani Ribeiro, que morreu em 1995. Ela manteve a essência da trama original, fazendo apenas algumas adaptações. De acordo com o site Teledramaturgia, Solange Castro Neves lia os originais para Ivani e as duas discutiam as adaptações e rumos da trama. Seguindo as orientações da autora, a colaboradora redigia os capítulos. Depois, os lia em voz alta para Ivani.
Ainda segundo o site, para escrever a novela, Ivani se baseou em dois livros psicografados por Chico Xavier (1910-2002), narrados pelo espírito André Luiz: “Nosso Lar” e “E a Vida Continua”.
Personagem de Christiane Torloni, Diná tinha o ciúme muito evidenciado quando era casada com Téo. Essa característica fez com que Diná virasse um adjetivo para qualificar as mulheres ciumentas.
Criada numa família católica, Torloni foi apresentada à doutrina espírita pelo cantor português Roberto Leal, que descobriu o endereço da atriz em Cascais e lhe deu um livro:
“A Viagem começou bem antes para mim. Foi o Roberto Leal me dando o livro e o Wolf (Wolf Maya, diretor da novela) me convidando pra fazer a novela, dizendo que se tratava de uma comédia.”
A sintonia das atrizes Christiane Torloni e Lucinha Lins, intérpretes das irmãs Diná e Estela, foi um ponto alto da novela, sentida pelas artistas e pelo público. Na cena da cremação, Lucinha se lembrou de uma particularidade muito especial.
Foi durante as gravações de A Viagem que Andrea Beltrão, intérprete de Lisa, e o diretor Maurício Farias começaram a namorar. O namoro virou casamento e hoje são pais de três filhos: Francisco, Rosa e José.
Segundo o site Memória Globo, a locação escolhida para representar o Céu foi um campo de golfe em Nogueira, distrito de Petrópolis, na região serrana do Rio. O Vale dos Suicidas, para onde Alexandre segue após sua morte, foi ambientado em uma pedreira desativada em Niterói (RJ).
Intérprete do médico espírito Alberto, Claudio Cavalcanti, recebeu inúmeras cartas do público endereçadas ao personagem. Nas mensagens, gratidão pelas palavras de conforto e amor. O ator morreu em 2013.
A cena final da novela foi gravada na Gruta de Maquiné (MG) e mostra Diná e Otávio de volta à eternidade.
Fonte: https://gshow.globo.com/



