Por José Carlos da Cruz
Psicólogo – psicologia analítica (Jung), Professor
A cosmovisão é mais do que uma concepção de mundo, tem a ver com a maneira que o consideramos, ou seja, como me coloco no mundo e como o coloco em mim.
É questão de atitude, pensando no proposito da coluna, é atitude consciente em relação ao mundo.
Podemos ter uma cosmovisão para diferentes segmentos, quando se trata da humanidade, desde o conceito sobre família, pois é o primeiro núcleo social do qual participamos, e vai até onde a imaginação puder chegar.
O que diferencia um ser do outro no mundo é atitude em relação a ele, alguns vão desenvolver uma atitude reprimida, ficarão na subserviência, mesmo detestando este lugar; já outros, vão adotar uma atitude ativa, consciente, do que, do porquê e para o que faz, o que faz; mesmo que ocupem um lugar de colaborador.
Quando se fala de atitude em relação a cosmovisão, trata-se da atitude psíquica, que é “um conceito psicológico que designa uma constelação especial de conteúdos psíquicos, orientada para um fim ou dirigida por uma ideia-mestra”; o que significa, ter um pensamento que consiste em ideias finalistas e impulsos para agir.
A atitude psíquica é análoga ao estado de espírito, pode mudar de tempos em tempos, está sujeita as influências, desde o primeiro núcleo social, até o mais complexo dos conhecidos e reconhecidos; as experiencias vividas, vão ditar o impacto do mundo sobre o ser e do ser no mundo.
Nestas condições a posição adotada diante do estímulo que surpreende é sempre consciente; a ação ou reação, quando desenvolvida uma atitude ativa, deixa de ser automática e inconsciente.
Fatores psíquico ditam as ações e reações, deixa-se o lugar simplista da inteligência emocional, para o lugar complexo da sabedoria; as nuances da vida, num mundo, onde a ideia é egóica, terão menor impacto negativo, pois ainda que ande no vale da sombra e da morte, entende que é um estado passageiro, adapta-se a partir das suas crenças e conscientemente se dispõe a superar estrategicamente a nova condição.
Para o senso comum, a ideia seria, que não há tempo ruim para quem tem uma atitude ativa, ou seja, para quem consegue enxergar o mundo além do que os olhos podem ver.
A ideia da cosmovisão está limitada ao que se vê, mas quando a pessoa sai deste lugar, sem ignorá-la, o mundo toma outro significado, porque há uma atitude mediante ao que foi visto; este torna-se protagonista da sua própria existência, sendo capaz de escolher entre viver ou morrer, onde sabiamente, escolhe viver o melhor do melhor e com isso, tem uma boa vida, mesmo que em meio ao turbilhão de acontecimentos ou situações desfavoráveis.
Para Jung, “a relação do homem para com o mundo: é em luta constante com seu meio ambiente, na vanguarda, a luta pela existência, e na retaguarda, a luta contra a natureza rebelde de seus próprios instintos”.
Portanto, é preciso estar em contínuo desenvolvimento; até porque, esta luta é constante, pois somos seres, queira ou não, em movimento, es estamos num mundo em movimento, a cada dia experimenta-se o cansaço e a bonança, por isso, na cosmovisão a atitude vai ser o diferencial entre o mal e o bem-estar.



