Por Teo Gelson
A garotinha que começou cantando na igreja e era fã de The Supremes, Martha Reeves e The Vandellas simplesmente reinou durante toda a fase áurea da disco music. Donna Summer é indispensável e colecionou, ao longo da vida, muitas boas histórias. Algumas bem pouco conhecidas do público.
Donna Adrian Gaines nasceu dia 31 de dezembro de 1948 e passou para a próxima fase em 17 de maio de 2012, vítima de câncer. Dona da disco, sem dúvida, Summer ganhou cinco Grammys, dois Globos de Ouro, Seis American Music Awards, está na Calçada da Fama e no Rock & Roll Hall of Fame e foi a primeira mulher negra a receber uma indicação ao MTV Vídeo Music Awards.
É engraçado como na história da música muitos artistas tiveram sua primeira chance cobrindo uma mancada de alguém mais experiente. Foi assim com Donna Summer. Quando tinha dez aninhos, a vocalista da banda da igreja batista que frequentava não apareceu. A garotinha se ofereceu para cantar e, badammmmm, surgia para o mundo a futura rainha da disco music.
Donna Summer rapidamente aprendeu alemão e foi convidada para lançar uma versão de Aquarius, o maior sucesso da trilha sonora de Hair, na língua local. A cantora assinou como Donna Gaines.
Foi na Alemanha que a cantora encontrou Giorgio Moroder. O produtor sacou o talento da futura diva e a convenceu a deixar o Three Dog Night para tentar um projeto no mundo da disco, ao seu lado e de Pete Bellotte.
O nome artístico da cantora, definido na parceria com Moroder e Bellotte, era Donna Sommer. Só que a gravadora Groovy Records, com quem assinaram contrato para seu primeiro álbum, imprimiu as capas com o nome errado, Donna Summer. A cantora resolveu deixar por isso mesmo, assumindo o sobrenome que o mundo hoje conhece.
Donna Summer era zoada dentro de casa
Quando surgiu, a disco não agradava nem aos roqueiros e nem aos puristas da soul music, base musical familiar. Tanto seus pais, quanto o irmão, Ricky, tiravam um sarro do timbre de voz da cantora em sem primeiro álbum. Já diziam os psicólogos de boteco: você pode conseguir o reconhecimento do mundo inteiro, mas nunca vai ter o da sua família.
Em 1975, Summer compos uma música pensando em Marilyn Monroe, Love To Love You Baby, e lançou em um extended single, com 16 minutos de duração. A cantora teve a ideia de botar uns gemidinhos no meio da música, para deixá-la mais sexy. Chegou até mesmo a pedir para que desligassem as luzes do estúdio para que pudesse ficar mais à vontade para gravar os sons sensuais. Só faltou combinar com as rádios americanas, que a acharam ousada demais e baniram a música da programação. Mesmo assim, chegou ao segundo lugar na parada de lançamentos da Billboard.
Jovens e inocentes, Moroder e Summer resolveram incluir em seu primeiro disco, Lady Of The Night, uma música chamada The Hostage (o refém). As rádios alemãs ficaram cabreiras. Uma americana, fazendo a carreira na Alemanha, ao lado de um produtor italiano, apenas 30 anos após a traumática Segunda Guerra Mundial, estaria fazendo uma provocação. Viagem total dos alemães, mas a música foi banida das rádios de lá.
Quando a AIDS surgiu nos anos 80, matando milhares de pessoas e assustando o planeta, Summer entrou na onda errada de que a doença era uma “punição de Deus ao comportamento gay”. Justo ela, rainha da disco music e com uma gigantesca massa de fãs dentro da comunidade LGBT. A cantora jamais assumiu ter dito algo do tipo e colocou a culpa na New York Magazine, a quem processou mais tarde, acusando-os de terem distorcido sua fala.
Em seu livro de memórias Ordinary Girl: The Journey, Donna fez uma revelação que deixou os fãs estarrecidos. Ela já havia tentado o suicídio diversas vezes, e chegou a ter um surto psicótico em 1979. Para lidar com a ansiedade e a depressão, a cantora recorreu à pintura, que acabou se tornando uma de suas grandes paixões até o fim de sua vida.
O doido é que 1979 foi um ano espetacular para a carreira de Summer. A cantora emplacou cinco hits nas paradas de sucesso: Hot Stuff, Bad Girls, Heaven Knows, Dim All The Lights e No More Tears (Enough is Enough), todas indispensáveis em qualquer coleção de disco music. Hot Stuff e Bad Girls alcançaram o primeiro lugar nas paradas. No mesmo ano, a artista ainda levou três troféus no American Music Awards.
Fonte: https://musicnonstop.uol.com.br/



