Por José Carlos da Cruz
Psicólogo – psicologia analítica (Jung), Professor
“Quem olha para fora, sonha; quem olha para dentro, desperta”. Jung
Essa frase é sobre atitudes básicas da personalidade, com ela, observa-se a extroversão e a introversão, estas atitudes vão além do interno e externo, é sobre como o indivíduo se comporta, se vê, se coloca em relação a si mesmo, no mundo e com outro.
Ela é um convite a reflexão sobre como e em qual direção a pessoa está dispensando energia e atenção, que pode ser consciente e as vezes inconsciente, mas o fato é se não todos, quase todos estão atrás da aprovação ou validação, dos seus feitos, sentimentos, pensamentos etc.
Olhar para fora, tem tudo a ver com a preocupação com o que os outros pensam e veem sobre você; neste lugar, a expectativa está voltada para o que o material pode proporcionar como poder, visibilidade, ou no que a relação interpessoal pode agregar, em suma, espera-se sempre aprovação da sociedade, o que nem sempre acontece, gerando insatisfação, pois nem sempre as respostas para as questões estão fora da pessoa.
O risco desta atitude, é perder-se nos sonhos que são dos outros, nas comparações e afastar-se da verdade.
Já o benefício, é exatamente o ato de sonhar, que é essencial para a humanidade, é o que inspira, impulsiona a agir, desde sempre a humanidade é motivada a sonhar alto, a buscar objetivos, a atingir alvos.
Por outro lado, temos o olhar para dentro, que tem muito mais a ver com desenvolvimento da resistência necessária para olhar para fora com segurança e confiança.
É uma jornada de autoconhecimento, confronto pessoal, descoberta de desejos, potenciais, receios; desvenda quem o indivíduo é de verdade, portanto, é um apelo a autoaceitação, traz a consciência, o reconhecimento de que é tanto quanto o outro.
Sendo um processo infinito, porque a vida está em movimento contínuo, cada dia ela apresenta uma novidade surpreendente, que deve ser elaborada, para extrair o melhor e aglutinada a realidade.
Na matemática tem uma expressão “se, somente se”, o que indica que duas proposições são equivalentes, ou seja, se uma é verdade, obrigatoriamente a outra também deve ser verdadeira, no caso em questão; sonhar é necessário, autoconhecimento é necessário, as duas proposições são verdadeiras.
Partindo deste pressuposto, pode-se dizer que sonhar é seguro, quando tem desenvolvido o autoconhecimento e vice-versa.
Enfim, a frase é sobre equilíbrio, em que de um lado observa-se o mundo e do outro, posiciona-se de maneira benéfica para si mesmo, para o outro e para o mundo.
Referências
Lessa E. A TEORIA DOS TIPOS PSICOLÓGICOS 08/2018 https://institutojunguianorj.org.br/a-teoria-dos-tipos-psicologicos/#:~:text=Jung%20distinguiu%20duas%20formas%20de,e%20impress%C3%B5es%20ps%C3%ADquicas%20(introvers%C3%A3o).



