Por Teo Gelson
Lançada originalmente em 1983, a série He-Man e os Defensores do Universo (He-Man and the Masters of the Universe, no original) fez bastante sucesso em diversos lugares do mundo, incluindo o Brasil. Com uma trama simples, mas repleta de elementos interessantes, o herói titular tinha algumas missões curiosas e dinâmicas a cada novo episódio. Embora tenha acumulado diversos fãs com o passar do tempo, há diversas curiosidades em torno da produção que muitas pessoas ainda não sabem.
Pode parecer óbvio, mas muitas pessoas não sabem que He-Man, originalmente, surgiu de uma linha de brinquedos da Mattel. A ideia surgiu no final dos anos 1970, quando a empresa em questão tinha material disponível sobrando e decidiu investir em sua própria linha. A partir desse ponto, alguns esboços para brinquedos foram desenvolvidos, até que, finalmente, em 1983, o boneco ganhou sua forma.
A criação de He-Man foi feita a partir dos desenhos de Mark Taylor em colaboração com o escultor Tony Guerrero. Em seus primórdios, o personagem tinha uma expressão um tanto quanto assustadora e séria, mostrando que estava bravo o tempo inteiro. Além disso, seu capacete com chifres remetia aos guerreiros vikings. Dessa maneira, algumas modificações precisaram ser feitas, incluindo um corte de cabelo loiro mais amigável.
Mark Ellis, diretor de marketing da Mattel no início dos anos 1980, estava confiante com a ideia desenvolvida por sua equipe. Ele acreditava no sucesso de vendas do boneco, mas sabia que alguma coisa estava faltando.
Por esse motivo, a empresa encomendou uma série em quadrinhos para mostrar qual era a história do personagem, mas a Toys ‘R’ Us, parceira na fabricação dos bonecos, estava receosa com o fato de existirem crianças que ainda não sabiam ler. A partir disso, pensaram em desenvolver uma série animada para ser veiculada na televisão e, assim, atrair mais público.
Com a ideia da série animada em mente, os executivos pensaram em quais estúdios famosos poderiam desenvolvê-lo. Um dos primeiros a ser considerado foi o Hanna-Barbera, de William Hanna e Joseph Barbera, famosos na época por Zé Colmeia, Os Flintstones, Os Jetsons e também Scooby-Doo. Contudo, a ideia foi rejeitada pelos animadores e novas empresas precisaram ser consideradas.
Embora essa questão seja considerada canônica, isto é, faz parte da história original, ela só foi sugerida por meio dos quadrinhos. Apenas com o lançamento de uma nova animação, em 2002, é que isso foi retomado. Na trama, Esqueleto era o irmão do Rei Randor, pai do herói, que seguia pelo caminho das trevas. Por conta de um ácido muito poderoso jogado em seu rosto é que seu crânio se tornou visível.
He-Man possui músculos impressionantes que se destacam em sua fisionomia em todos os momentos. Para garantir o realismo dos movimentos, os animadores recorreram a profissionais de fisiculturismo, que foram filmados realizando diversas acrobacias. A partir disso, a equipe criativa conseguiu entender como os movimentos poderiam acontecer e, dessa maneira, criaram batalhas muito interessantes.
Com o sucesso de He-Man, os realizadores logo pensaram em uma nova forma de conquistar o público. Portanto, o personagem He-Ro foi criado, ganhando uma série animada para chamar de sua em 1996. A premissa era muito parecida com a série original, mostrando as aventuras do herói em Eternia, lidando com vilões perigosos e utilizando os poderes de Grayskull para superar todas as adversidades.
A primeira série animada gerou bom retorno financeiro aos realizadores, que decidiram, a partir disso, retomar a ideia inicial de histórias em quadrinhos. Portanto, de 1986 até 1991, He-Man teve histórias distribuídas nesse formato, com tirinhas exclusivas publicadas em cerca de dez jornais. Essa também foi uma forma da Mattel manter a franquia em evidência, tendo em vista que a animação foi concluída após 130 episódios em 1985.
Mesmo enfrentando inúmeros perigos e vilões implacáveis, He-Man nunca provocava dor sob nenhuma criatura em todos os episódios da animação original. Sua espada foi usada apenas como defesa e também para remover os obstáculos que estavam à sua frente. Além disso, mesmo possuindo uma grande força, um confronto direto nunca foi visto. A explicação é que o estúdio queria evitar a censura em todos os sentidos.
O sucesso de He-Man nos Estados Unidos também atingiu outros territórios, como o Brasil. Em nosso país, tanto a versão dos anos 1980 quanto a versão de 2022 foram exibidas em programas como Balão Mágico, Xou da Xuxa, TV Colosso, Angel Mix, TV Xuxa e TV Globinho, na Rede Globo.
As versões também fizeram parte da grade de programação da Record TV, Rede Família, Rede Brasil, Novo Canal, TV Unisinos, RBTV e dos canais fechados Cartoon Network, Boomerang, Tooncast e Gloob. A dublagem esteve a cargo do famoso estúdio Herbert Richers.
Segundo o designer e animador Roger Sweet, um dos responsáveis pelo desenvolvimento de He-Man, somando todos os produtos licenciados, incluindo roupas, brinquedos, quadrinhos e material escolar, a franquia conseguiu arrecadar mais de US$ 2 bilhões (atualmente cerca de R$ 10,14 bi). Isso, é claro, sem considerar todas as animações que foram realizadas e suas respectivas vendas a outros países para exibição internacional.
Desde 2010, a Power and the Honor Foundation, uma organização sem fins lucrativos, mantém o compromisso com os fãs de zelar pelo trabalho de todos os artistas que contribuíram criativamente para o desenvolvimento dos materiais que fizeram He-Man existir. É possível, inclusive, realizar doações para o grupo.
Para fechar a lista, é preciso falar do remake lançado pela Netflix em 2021. Mesmo sendo divisível para muitos fãs, a produção conseguiu chamar a atenção de todos aqueles que sempre gostaram dos personagens residentes de Eternia. Por trás da série estava o cineasta Kevin Smith, que já assumiu ter grande apreço pela animação original, algo que o motivou a encabeçar o projeto.
Fonte: https://www.tecmundo.com.br/



