Por José Carlos da Cruz
Psicólogo – psicologia analítica (Jung), Professor
O EU EM MOVIMENTO
É importante entender que o EU da SELF, difere do eu egoístico, egocêntrico, lugar que valoriza unicamente a anseios pessoais, sendo o seu movimento de fora para fora; o objetivo deste texto é convidar o leitor a olhar para o interior, onde está instaurado a consciência de quem é, de como se percebe e se senti no mundo, em outras palavras, a essência do ser.
O movimento neste lugar é de dentro para fora, onde as experiências intimas e subjetivas são as responsáveis pelas mudanças processadas.
A partir deste pressuposto, concluo que a identidade, a Self, não é um elemento estático, mas que está em contínua transformação, o processo é de construção, desconstrução e reconstrução; sobre o fundamento que são as crenças firmes; o objetivo de propor o encontro com Self é alcançar a totalidade e o equilíbrio do EU.
O eu em movimento, significa que estamos sujeitos a interferência de um inconsciente coletivo, que estabelece padrões arquetípicos, formalizados no interior do homem, pelo mundo que foi criado, que criou e que continua criando, pelo que aprendeu e aprende no decorrer da vida.
O ambiente faz toda diferença, Vygotsky (1896-1934) enfatizava a importância do ambiente social e cultural para o desenvolvimento humano, onde as relações têm poder curativo e transformador; e, a linguagem é a ferramenta essencial para internalização do conhecimento e para interação com o mundo.
O sistema cultural estabelecido e as referências aglutinadas moldam nosso comportamento, isso tudo porque as funções cognitivas estão em plena atividade até o último suspiro de vida, simplificando, o homem aprende o tempo todo e com todos que passam por ele, por toda a vida.
O eu em movimento, tem a ver com a influência do externo, que molda o interno; ou seja, a percepção sensorial, que é fisiológico, o que sentimos no ambiente em trânsito, vai influenciar poderosamente no que sentimos internamente, na elaboração dos pensamentos, que diz respeito a psique humana.
Sobre esse movimento constante, entre percepção e apercepção, Jung (1875-1961) diz que propicia o processo de reconhecimento, a partir da comparação com objetos concretos ou subjetivos, construídos na memória, que leva a avaliação e gera sentimentos.
Portanto o interno e o externo, o consciente e o inconsciente, quando estão alinhados, o Self real e o ideal, formarão uma unidade, propiciando bem-estar, pois vive o momento que é real sem descartar o sonho e a fantasia, dando vazão para a intuição e os instintos.
O eu em movimento, significa que nossa identidade, mantém a sua essência fundamental, mas, o que se levanta sobre esse fundamento, pode ser de tempos em tempos modelado da maneira que melhor convém.
Quero tomar como exemplo, uma casa; o fundamento jamais sera mudado, estabelece limites, o formato, características, dimensões, capacidade; a partir deste fundamento se levanta uma obra, que com o passar do tempo, sofre alterações naturais, por conta do clima, por conta do movimento externo, por conta do movimento interno, chega o tempo, precisa passar por uma reforma, interna e externa, podendo manter a forma e características, mas muda cor, restaura fissuras, renova aparência, pode até ampliar e até derrubar o que existe e levantar outra.
Quero colocar o ser humano neste lugar, somos uma construção, novinha quando nascemos, passamos por várias transformações até que chegamos na maturidade, onde acreditamos que somos o que somos e pronto, até que descobrimos fissuras, marcas e outras coisas que desgastaram com o tempo, requer uma reforma, tirar o que é desnecessário, agregar novos valores, sem perder a essência que é o fundamento.
Enfim, jamais deve-se pensar, que já é o que deveria ser, que chegou ao ápice da existência, pode-se viver, sonhar, conquistar, realizar, renovar, restaurar, em qualquer época, porque o SELF, o Si-mesmo, está em constante movimento, o EU, é capaz de adaptar-se criativamente a qualquer situação, quando bem direcionado, será um movimento crescente.
Concluo dizendo, deixe a vida fluir, viva criativamente o que o momento trouxer, dando o devido valor a cada circunstância, permitindo que os pensamentos fluam, no entanto, ficar estático, agride a essência, impede a evolução do ser, permita que o EU se movimente progressivamente e naturalmente.



