Por José Carlos da Cruz
Psicólogo, professor e teólogo, abordagem integrativa, predominante a psicologia analítica. Terapia individual, grupos, casais e palestrante; atendimentos online por todo o Brasil.
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Busca-se insistentemente a in(dependência), mas, ninguém é totalmente independente no mundo, sempre e em algum momento, o outro será imprescindível.
Para a existência humana é fundamental a convivência com semelhantes, a participação do outro é ativa, desde o nascimento até a morte. Motivo pelo qual, faz-se necessário que este, seja percebido presente no processo de desenvolvimento da personalidade, numa relação de reciprocidade, onde todos com suas peculiaridades, se influenciam mutuamente.
O sábio dizia que melhor serem dois do que um só, pois se dois estiverem juntos e um cair, o outro o levante; se um sentir frio, o outro o aquece; dois juntos têm melhor paga do seu trabalho; então, por mais simples que o outro seja, entenda, que se pode extrair algo, mesmo que seja, o que deve evitado ou recusado.
Quero reforçar a ideia que certamente já apareceu em textos publicados, o outro revela nossas limitações e nos desafia a ir além do que acreditamos ser capazes.
Assim como o humano é capaz de adaptar-se as circunstâncias ambientais, porque se apropria dos objetos físicos do mundo, também é capaz de compreender mutuamente e imediatamente potencialidades concretas no outro e através deste outro, em si mesmo.
O eu in(dependente) tem a ver com a consciência de si mesmo e o autoconhecimento, que leva o ser humano a auto transcender, que significa sair de si, como num êxtase, trazendo o passado já vivido e o futuro, aquilo que deseja viver, para o momento presente, onde reconhece suas responsabilidades sobre as decisões e atitudes, e o poder de modular sua própria existência no mundo, é isso que determina a liberdade ou in(dependência) humana.
A pessoa que eu sou, abrange o que já fui, o que estou sendo e o que desejo ser; a capacidade de viver essas três dimensões ao mesmo tempo, no tempo presente, atualiza as potencialidades humanas, pois possibilita que avalie e reflita sobre seus recursos emocionais, para lidar não só com situações concretas, mas também com as imaginativas.
Tudo isso só é possível por conta de uma função psíquica, o pensamento, que abrange: memorias, imaginação, raciocínio, entendimento, entre outras características.
A in(dependência) do eu real, só é possível quando se alcança a liberdade de pensamentos, onde se identifica claramente os signos fônicos ou escritos, assim como as experiências psíquicas e suas significações, sem que esses, interfiram direta ou indiretamente na existência do ser no mundo.
Enfim, a in(dependência) humana é uma utopia, porém, nada impede que seja almejada e desejada, pois quanto mais próximo estivermos dela, mas próximo estaremos da eu ideal, lugar onde os desejos desenfreados do Id e a moralidade do superego, estão sob o controle do Ego, sem a arrogância e cônscios das fragilidades e potencialidades de si mesmo no mundo, além do mundo.
Referência
Forghieri Y.C. Psicologia Fenomenológica: Fundamentos, Métodos e Pesquisa – São Paulo – Pioneira Thomson Learning 2002
Heidegger M. (1962) – O ser e o tempo, Petrópolis – Vozes, 1988 (2ª Edição)
Jung C.G. (1875-1961) O desenvolvimento da personalidade – Edição integral Título do original: “Über die entwicklung der persönlichkeit” Tradução: Frei Valdemar do Amaral Revisão técnica: Dora Ferreira da Silva ISBN 85-332-0813-8



