Por José Carlos da Cruz
Psicólogo, professor e teólogo, abordagem integrativa, predominante a psicologia analítica. Terapia individual, grupos, casais e palestrante; atendimentos online por todo o Brasil.
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O Eu no mundo
O eu real está em constante simbiose com o mundo e vice-versa, onde o ser transcendo o interno e o mundo o externo, ambos se beneficiam mutuamente dessa interação.
O mundo é um raio de sol sobre o ser, porque é nele (lugar que vive) que se descobri quem é; a existência depende dos dois; e, as experiencias vivenciadas no mundo são concretas, no entanto, o ser vivencia a abstração, porque pode reviver experiencias passadas e ter perspectivas de experiências futuras, que se chama: desejo; mas a verdade é, que ele vive o aqui e agora, o presente, que é uma dadiva do numinoso.
Por vezes, nesta dinâmica interativa, o ser transcende os limites entre o dentro e fora, na construção da sua personalidade.
A personalidade é formada nesta interatividade, cada teórico vai trazer uma estrutura psicológica para a personalidade; por exemplo Freud vai construir a sua ideia de personalidade sobre um tripé: ego, superego e Id; e muitos dizem que o ego é o vilão da relação, no entanto, é ele quem luta pelo paz, no conflito constante entre o desejo desenfreado do Id e a moralidade exagerada do superego; Já Jung, vai estruturar sua ideia de personalidade, sobre dois tipos, o extrovertido e o introvertido, sendo que um não anula o outro, ou seja, todo ser tem os dois tipos, no entanto, em cada ser, um predomina; para ampliar, Jung, inclui quatro funções psicológicas; o pensamento, o sentimento a sensação e a intuição; sendo o pensamento e sentimento, funções de julgamento e sensação e intuição de percepção; ainda há outras perspectivas, mas quero ser sucinto, para dizer que se não todos, mas quase todos, os teóricos da psicologia e suas variáveis, vão afirmar que nada acontece fora relação do ser com o mundo.
Heidegger (1988 p.172) diz que mesmo só, o ser é um com o mundo; neste lugar o outro pode até faltar, o nome dado a esta condição é solitude, onde o ser está intencional e conscientemente só; para Jung, o introvertido tem seu êxtase em si mesmo, no seu próprio mundo, construído internamente, porém, esta continuamente, sob a influência do mundo externo, porque existimos no mundo e o mundo existe em nós.
“Não é bom que o homem esteja só”, em nenhuma condição, e em tempo algum, pode até se afastar por um tempo, “desfrutar da solitude”, mas logo deve se aproximar do outro, porque a existência do ser depende do outro; no compartilhar experiências, nas trocas de informações, o homem cresce quando está defronte do outro.
Enfim, só tenho condições de saber quem eu sou, estando no mundo, convivendo com meus semelhantes; nesta relação, temos duas opções para convivência, tanto na relação individual como no grupo social, posso escolher seguir os passos do outro, submetendo-me aos seus caprichos, na mesma proporção, quando diz respeito ao grupo social; e, posso decidi fazer as minhas próprias escolhas, sem destruir a relação individual ou social; está alternativa, denota a eu real, a SELF, em desenvolvimento, cônscio de suas potencialidades e habilidades, mas pela relação, que fundamenta o ser, vive com o semelhante.
Referências
Forghieri Y.C. Psicologia Fenomenológica: Fundamentos, Métodos e Pesquisa – São Paulo – Pioneira Thomson Learning 2002
Heidegger M. (1962) – O ser e o tempo, Petrópolis – Vozes, 1988 (2ª Edição)



