Por Thiago Alves Eduardo
Psicólogo
Quando falamos sobre dor, tratamos de algo extremamente abrangente e com muitas percepções diferentes. Quando o tema é a dor emocional, tudo se torna ainda mais complexo.
Você já bateu o dedo na quina de um móvel? Ou prendeu o dedo na porta de um carro?
Acredito que sim. Todos temos noção do que é dor física, mas não da intensidade com que ela afeta cada pessoa. A dor física é facilmente compreendida e aceita pela sociedade. Já a dor emocional, não recebe o mesmo olhar.
Existe um abismo silencioso na validação da dor emocional. Há uma tendência equivocada de comparar sofrimentos. Talvez você já tenha ouvido frases como:
“Essa pessoa está exagerando por coisa pequena.”
“Quando eu passei por algo parecido, foi muito pior e aguentei.”
“Essa pessoa é fraca, não sabe o que é sofrimento.”
“Não fica assim por isso.”
“Tenta ficar feliz, tenta melhorar.”
“Pare de chorar, nem foi tão grave assim.”
Se você já ouviu frases assim enquanto enfrentava uma dor emocional, sinto muito. Mas quero te afirmar: sua dor é válida. Sua dor tem importância.
A dor é um sinal de que algo não está bem. Ela aponta que algo nos causa sofrimento. Ignorar ou menosprezar a dor é como dizer que está tudo bem ser ferido e continuar machucado.
Imagine uma represa recebendo um fluxo intenso de água, sem nenhuma descarga controlada pelas comportas. Em determinado momento, essa barragem pode se romper — e toda a água contida será liberada com força, sem controle.
Nossas emoções funcionam da mesma forma.
Mas como saber o momento certo de abrir as comportas emocionais e liberar o excesso?
É a dor quem nos avisa. Ela sinaliza que algo precisa ser olhado com atenção.
Por isso, sua dor não é “frescura” — ela tem significado.
Sua saúde mental exige um bom gerenciamento das emoções, e isso só é possível se você utilizar todas as ferramentas disponíveis — inclusive a dor.
A dor é um sinal. Não um castigo.
Também não devemos romantizar o sofrimento. Não é verdade que só se aprende com dor ou que só há evolução no sofrimento.
Você não precisa sofrer para merecer crescer.
Não permita que sua dor seja silenciada.
Não deixe que os outros decidam por você o que é dor “de verdade”.
Não temos controle sobre o que sentimos, mas temos escolha sobre o que fazemos com o que sentimos.
Podemos decidir se vamos afundar no abismo de emoções ignoradas, ou se vamos ouvir a nossa dor e buscar ajuda.
EXERCÍCIO RÁPIDO PARA LIDAR COM A DOR EMOCIONAL:
Valide sua dor.
Permita-se senti-la.
Reflita sobre o que está causando essa dor.
Liste formas saudáveis de intervir ou enfrentar essa situação.
Aja da forma mais apropriada e eficaz para você.
Lembre-se: os causadores da sua dor emocional são passageiros.
Assim como toda tempestade, em algum momento, a calmaria chega.
Você não precisa ter todas as respostas para resolver suas dores emocionais.
Pedir ajuda não é fraqueza — é coragem.
Busque apoio profissional ou de pessoas que possam te acolher. Você não está só.
Seja você a pessoa que transforma o silêncio da dor em uma voz ativa e audível.
Seja você quem normaliza o fato de que não estar bem o tempo todo é humano.
Desejo-lhe coragem para transformar sua dor em força.
Porque até nos terrenos mais áridos, podemos florescer.
E o nosso crescimento sempre será contínuo e transformador.
Se quiser saber mais sobre esse tema ou conversar, você pode me encontrar nas redes sociais: @masculidademental. Será um prazer te ouvir e acolher suas dores.
Referências bibliográficas:
ROGERS, Carl R. Tornar-se pessoa: um terapeuta descobre seu modo de ser. São Paulo: Martins Fontes, 2009




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