Por José Carlos da Cruz
Psicólogo – psicologia analítica (Jung), Professor
Quando se fala de personalidade, pensa-se em pessoas que defendem os seus ideais; que faz o que quer, independente do que os outros dizem; que assumem a responsabilidade dos seus atos.
Digo: é muito mais do que só isso. A personalidade humana é algo que está em contínuo desenvolvimento e dura por toda a vida. Manifesta as qualidades inerentes do caráter, das inclinações e do temperamento; começando com o que herdamos e que são imprimidas pelos genitores ou cuidadores na primeira infância.
Neste primeiro momento, interpretá-la é difícil, beirando ao impossível, só o tempo e as ações poderão relevar sobre o que aquele individuo, vai ser.
É impossível calcular a quantidade de ações pessoais e interpessoais que contribuirão para formação da personalidade, porém, todas sem exceção tem participação direta nesse processo.
Isso significa, aceitar a influência externa, mas adaptar-se internamente a nova condição, para responder de maneira positiva fisicamente, emocionalmente e espiritualmente as ações.
Há algo de nobre na busca pela individuação; porque exige uma coragem de viver o eu individual ao máximo, sem se isolar da massa, no entanto, dando-se a liberdade de decidir o que quer por conta própria.
O desenvolvimento da personalidade acontece a partir da necessidade, não é da natureza humana mudar, não é porque alguém disse que deve mudar, que o outro vai; o senso comum, usa a seguinte frase para demostrar essa qualidade conservadora da personalidade: “eu nasci assim, vou morrer assim” (síndrome de Gabriela), só a necessidade tem poder para ativá-lo.
Estamos em desenvolvimento, queira o indivíduo ou não, com um ideal a ser atingido, que apontar uma direção, uma referência que nem sempre é atingível; por isso, deve-se viver o real, focado neste ideal; partindo deste pressuposto, a flexibilidade sem perder a firmeza é fundamental.
Jung diz que o desenvolvimento da personalidade, desde seu começo até à consciência plena, é um carisma e ao mesmo tempo uma maldição; ou seja, aquele que a tem desenvolvido, se destaca dentre a massa, segue o que crê; é firme, constante e abundante; “persevera com lealdade e espera com confiança”.
O que significa, que a personalidade desabrocha quando a pessoa consciente e moralmente decide escolher o seu próprio caminho, que é o fator operacional da necessidade, a causa ativadora do desenvolvimento.
Este lugar é de isolamento, porque vai se afastar das convenções da massa, “a voz do povo deixa de ser a voz de Deus”, o que causa estranheza, pois é da natureza seguir o mais cômodo, seguir o conhecido que leva ao lugar pré-definido, ao invés de tomar uma direção ao desconhecido, contrário ao da massa, que vias de regra é um caminho estreito e difícil.
Enfim, nem todos chegarão a este nível de independência, onde a sua identidade é bem definida, suas crenças são firmes, onde sujeita-se as influências, por decisão própria, enquanto positivas, reconhece sua pequenez na imensidão do universo, porém entende sua importância; para concluir, todos podem almejar, buscar e chegar nesse lugar, onde se vive a individuação, “muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos”.
Te convido para essa jornada, vamos?



