Por André Henrique
Com a chegada do verão, não são apenas as pessoas que mudam seus hábitos. Estradas registram mais atropelamentos de animais, áreas urbanas passam a receber visitas inesperadas da fauna silvestre e aumentam os relatos de encontros com cobras, mamíferos e aves. Esse fenômeno não é aleatório nem resultado de “excesso de animais”, como muitas vezes se ouve. Ele está diretamente ligado às condições climáticas e ecológicas típicas da estação mais quente do ano.
Compreender por que os animais silvestres ficam mais ativos no verão é essencial para reduzir conflitos, evitar acidentes e promover uma convivência mais segura entre seres humanos e a fauna.
O verão como período de maior atividade biológica
O verão é marcado por temperaturas elevadas, maior disponibilidade de água e aumento da oferta de alimento. Para a maioria das espécies silvestres, essas condições criam um ambiente favorável à sobrevivência, reprodução e crescimento populacional.
Insetos se multiplicam com mais rapidez, plantas produzem flores, frutos e sementes, e esse aumento de recursos desencadeia uma reação em cadeia em toda a cadeia alimentar. Animais herbívoros encontram mais alimento, enquanto predadores seguem suas presas.
Além disso, muitas espécies apresentam ciclos reprodutivos sincronizados com o verão, pois o clima favorece o desenvolvimento dos filhotes, reduzindo riscos de mortalidade.
Reprodução, alimentação e deslocamento
Durante o verão, é comum observar:
Maior deslocamento de animais em busca de parceiros reprodutivos;
Fêmeas procurando áreas seguras para parir ou colocar ovos;
Jovens recém-nascidos ou juvenis explorando o ambiente;
Predadores mais ativos, acompanhando a maior oferta de presas.
Esse aumento de movimentação faz com que animais atravessem estradas, entrem em áreas urbanas, sítios, condomínios e áreas de lazer, especialmente onde o habitat natural foi fragmentado.
Chuvas, calor e comportamento animal
As chuvas típicas do verão também influenciam diretamente o comportamento da fauna. Elas:
Alagam tocas e abrigos naturais, forçando animais a se deslocarem;
Aumentam a atividade de anfíbios e répteis, que dependem de umidade;
Estimulam a saída de serpentes e pequenos mamíferos para áreas mais altas e secas;
Favorecem a reprodução de insetos, o que atrai aves, morcegos e outros predadores.
No caso de répteis, como cobras e lagartos, o calor é um fator decisivo. Sendo animais ectotérmicos, eles dependem da temperatura ambiente para regular o metabolismo. O verão, portanto, representa o período de maior atividade metabólica, alimentação e deslocamento.
Cidades e estradas: o conflito se intensifica
O aumento da atividade animal no verão ocorre em um cenário já problemático: a expansão urbana desordenada e a fragmentação de habitats naturais. Florestas são cortadas por rodovias, bairros avançam sobre áreas naturais e corredores ecológicos são interrompidos.
Com isso, animais que antes circulavam apenas em ambientes naturais passam a cruzar:
Estradas movimentadas;
Loteamentos;
Áreas turísticas;
Regiões agrícolas.
O resultado é o aumento de atropelamentos, acidentes, capturas indevidas e mortes desnecessárias. Muitas vezes, o animal não está “invadindo” o espaço humano — ele apenas continua usando rotas antigas de deslocamento.
O papel da informação e da prevenção
Entender que o verão é um período crítico para a fauna silvestre permite adotar medidas simples, mas eficazes:
Reduzir a velocidade em estradas, especialmente em áreas rurais e próximas a matas;
Respeitar placas de travessia de animais;
Não alimentar animais silvestres;
Evitar capturas ou tentativas de “afugentar” a fauna;
Acionar órgãos ambientais ou equipes especializadas em caso de encontro com animais.
A convivência segura começa com informação e respeito aos ciclos naturais.
Conclusão
O aumento da atividade dos animais silvestres no verão não é um problema é um sinal de que a natureza está seguindo seus ciclos naturais. O verdadeiro desafio está na forma como a sociedade reage a esse fenômeno.
Em vez de medo ou intolerância, é preciso adotar uma postura de responsabilidade ambiental, reconhecendo que o ser humano compartilha o território com outras espécies. O verão não torna os animais “mais perigosos”, apenas mais visíveis.
Com planejamento, educação ambiental e respeito à biodiversidade, é possível reduzir conflitos, salvar vidas humanas e animais e construir uma convivência mais equilibrada com a fauna silvestre.
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André Henrique de Rezende Almeida
@BIOLOGOANDREHENRIQUE
Biólogo CRBIO 02: 60.945
Engenheiro Ambiental CREA: ES-055476/D



