Por Yuri Oliveira
A voz é única em cada pessoa, como uma impressão digital. O timbre é quem faz essa impressão vocal ser única e que tenha essa característica individual. Essa individualidade é composta pela vibração das pregas vocais e das cavidades de ressonância. Através do timbre, você é capaz de identificar a voz de uma pessoa através do telefone, gravação de um áudio e identificar várias vozes dentro de uma mesma conversa.
Na fonoaudiologia, a voz pode ser trabalhada e moldada para saúde, assim também para performance como música, teatro e comunicação oral.
Na fonoaudiologia, quando falamos em tipos de vozes, estamos descrevendo qualidades vocais (como o som é produzido e percebido) e também os desvios vocais (quando há alguma alteração).
Voz normal (Eufônica ou voz neutra)
É uma voz com características clara, estável, agradável de ouvir, sem esforço, sem escape de ar, seu funcionamento é equilibrado da laringe, boa coordenação respiratória e ressonância adequada. A impressão que passa é de confiança, uma voz natural, limpa, sem ruídos.
Voz rouca
Tem uma característica marcante com emissão de som áspero, irregular, ruidoso, instável e vibração das pregas vocais com alteração. A causa mais comum é o abuso vocal e mal uso, inflamações, nódulos, pólipos, laringite. A percepção é de uma voz doente e que parece “arranhada”, de desgaste, descuido, fadiga ou até sofrimento vocal. Pode soar “sexy” em certos contextos, mas em excesso gera desconforto.
Voz soprosa
É uma voz fraca, com muito escape de ar e pouca projeção. Uma das Causas é o fechamento incompleto das pregas vocais como a paralisia, lesões estruturais e fadiga. parece que a pessoa “fala soprando”. A impressão é que a pessoa é frágil, sem energia, insegura e delicada.
Voz tensa / estrangulada
É caracterizada por uma voz com esforço excessivo, som “apertado”, “espremido”, estridente, muitas vezes associado a dor ou desconforto ao falar. A Causa comum é hiperfunção da musculatura da laringe e estresse vocal. A impressão é de uma qualidade vocal aflitiva, podendo bloquear parcialmente ou totalmente a inteligibilidade da fala. Passa a impressão de uma pessoa nervosa, agressiva e impaciente.
Voz hiponasal
É uma voz que se caracteriza por ausência ou redução da ressonância nasal. A Causa comum é obstruções causada por rinite, desvio de septo, pólipos nasais, dentre outros. A impressão é de uma voz “anassonada”, como se estivesse resfriado. É uma qualidade vocal abafada, sem clareza, sem riqueza de harmônicos.
Voz hipernasal
É uma voz com excesso de ressonância nasal. As causas mais comuns são as falhas no fechamento velofaríngeo (fissura de palato, alterações neurológicas). Quando não é associada a uma patologia de base, pode passar a impressão de alterações emocionais afetivas ou sensualidade.
Voz infantilizada
Gera uma percepção de uma pessoa imatura, infantilizada e sem autoridade. Caso apresente dificuldades de articulação, pode soar engraçada ou caricata. Como soa aguda, leve é semelhante à de uma criança. Representa imaturidade vocal, hábito ou questões emocionais em adolescentes/adultos. A Causa comum é a manutenção do padrão infantil por hábito ou questões emocionais.
Voz bitonal
Tem como característica a emissão de duas frequências simultâneas (um som duplo) a causa mais comum é a irregularidade na vibração das pregas vocais, presença de lesões volumosas ou assimétricas. Impressão de uma voz “duplicada”, instável. Causa estranheza, instabilidade podendo causar distração e desconforto no ouvinte
Afonia
Caracterizada por ausência total de voz, a pessoa só consegue emitir ar ou sussurro. A Causa mais comum é inflamação grave, paralisia, uso abusivo da voz. A percepção é de fragilidade extrema, esforço, dificuldade de comunicação, urgência de cuidado.
E VOCÊ, CONSEGUIU SE IDENTIFICAR COM ALGUMA DESSAS VOZES?
Na prática clínica, cada tipo de voz indica como a laringe e o trato vocal estão funcionando. A voz pode ser uma janela para identificar desde simples abusos vocais até alterações orgânicas que precisam de cuidado. O tratamento pode envolver terapia vocal com exercícios específicos para cada caso, higiene vocal e em alguns casos, acompanhamento médico otorrinolaringológico.
. Por Vanessa Cláudia V. Pinto de Melo
CRFa 8-4541 – Fonoaudióloga
@vanessacvpmelo @fonargroup
Por Yuri Oliveira CRFa – 8- 11.909 – Fonoaudiólogo
@yurioliveirafe_fonoaudiologia @fonargroup



