Por Thiago Alves Eduardo- Psicólogo
@thiagoalvespsic
O começo de um novo ano costuma carregar um simbolismo poderoso. É tempo de recomeços, promessas, metas e expectativas renovadas. No entanto, junto com a sensação de oportunidade, também surgem pressões silenciosas: a necessidade de “dar certo”, de ser melhor do que no ano anterior, de alcançar objetivos rapidamente. Em meio a esse turbilhão de emoções, cuidar da saúde mental torna-se não apenas importante, mas essencial. Refletir sobre como estamos por dentro é um gesto de coragem e responsabilidade. Assim, no início do ano, alguns cuidados com a saúde mental podem fazer toda a diferença para construir uma trajetória mais equilibrada e consciente.
O primeiro cuidado fundamental é respeitar o próprio ritmo. Muitas vezes, o início do ano vem acompanhado de listas extensas de metas e comparações constantes com a vida dos outros. Esse movimento pode gerar ansiedade e frustração, pois cada pessoa tem seu tempo, sua história e suas limitações. Respeitar o próprio ritmo significa entender que não é preciso resolver tudo de uma vez, nem alcançar grandes conquistas imediatamente. É aprender a caminhar passo a passo, celebrando pequenas vitórias e aceitando que pausas também fazem parte do processo. Quando nos permitimos avançar sem pressa excessiva, criamos um ambiente interno mais acolhedor e saudável.
O segundo cuidado está ligado à organização emocional e mental. Assim como organizamos a casa ou o material de trabalho no início do ano, também é necessário organizar os pensamentos e sentimentos. Isso envolve refletir sobre o que ficou do ano anterior: mágoas não resolvidas, frustrações, aprendizados e conquistas. Ignorar essas emoções pode fazer com que elas se acumulem e se manifestem de forma negativa ao longo do tempo. Organizar a mente é reconhecer o que dói, valorizar o que foi positivo e decidir, conscientemente, o que merece ser levado adiante. Práticas como escrever, meditar ou simplesmente reservar momentos de silêncio podem ajudar nesse processo de autoconhecimento.
O terceiro cuidado essencial é estabelecer limites saudáveis. No começo do ano, é comum assumir compromissos demais, seja no trabalho, nos estudos ou na vida pessoal. Dizer “sim” para tudo pode parecer uma atitude positiva, mas, muitas vezes, é um caminho direto para o esgotamento mental. Cuidar da saúde mental também significa aprender a dizer “não” quando necessário, respeitando os próprios limites físicos e emocionais. Estabelecer limites é um ato de amor-próprio, pois demonstra que reconhecemos nossas necessidades e entendemos que não podemos dar conta de tudo sozinhos.
O quarto cuidado diz respeito à manutenção de hábitos saudáveis. Corpo e mente estão profundamente conectados, e negligenciar um afeta diretamente o outro. Ter uma rotina de sono adequada, alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividades físicas e reservar momentos de lazer são atitudes que contribuem significativamente para o bem-estar mental. No início do ano, criar ou retomar esses hábitos pode parecer desafiador, mas é importante lembrar que mudanças não precisam ser radicais. Pequenas escolhas diárias, feitas com constância, têm um impacto profundo na saúde mental ao longo do tempo.
Por fim, o quinto cuidado é buscar apoio e fortalecer vínculos. A ideia de que precisamos enfrentar tudo sozinhos ainda é muito presente, mas é também uma das maiores armadilhas para a saúde mental. Conversar com amigos, familiares ou profissionais da área da saúde é uma forma de aliviar o peso emocional e encontrar novas perspectivas. O início do ano pode ser um ótimo momento para fortalecer relações, retomar contatos e construir redes de apoio mais sólidas. Compartilhar sentimentos não é sinal de fraqueza, mas de maturidade emocional e autocuidado.
Em síntese, cuidar da saúde mental no começo do ano é um compromisso que exige atenção, sensibilidade e constância. Respeitar o próprio ritmo, organizar as emoções, estabelecer limites, cultivar hábitos saudáveis e buscar apoio são atitudes que ajudam a construir um ano mais equilibrado e significativo. Mais do que cumprir metas externas, é fundamental olhar para dentro e perguntar: como eu quero me sentir ao longo deste ano? Quando colocamos a saúde mental como prioridade, abrimos espaço para viver de forma mais consciente, leve e verdadeira, transformando o recomeço em uma oportunidade real de crescimento interior.



