Cartola O Mundo é um Moinho, narra a história do sambista e terá mais duas apresentações abertas ao público baiano.
Espetacular! A muito tempo não se via uma montagem tão grandiosa e cuidadosa nos palcos brasileiro. Com destaque absoluto a interpretação do ator Flávio Bauraqui, que dá vida ao Cartola, a montagem Idealizada pelo ator e produtor Jô Santana, tem dramaturgia de Artur Xexéo, direção e encenação de Roberto Lage e direção musical de Rildo Hora. A pesquisa foi realizada por Nilcemar Nogueira, neta de Cartola, fundadora do Museu do Samba e atual Secretária Municipal de Cultura do Rio de Janeiro.
Na sua passagem por Salvador, logo na estreia (convidados), lotou a sala principal do Teatro Castro Alves e consolidou ainda mais o sucesso do musical que, na primeira ttemporada , que aconteceu no ano passado em São Paulo, recebeu indicações para cinco prêmios: Melhor Visagismo – Prêmio Arte Qualidade Brasil; Melhor Ator para Flávio Bauraqui – Prêmio Aplauso Brasil; Melhor Espetáculo Musical – Prêmio Aplauso Brasil; Melhor Ator para Flávio Bauraqui – Prêmio APCA; Melhor ator para Flávio Bauraqui – Prêmio Revista Quem.
Cartola – O Mundo é um Moinho, já passou por várias cidades como; Rio de Janeiro, São Paulo e Maceió e deve seguir em turno até dezembro. Para quem está ou é de Salvador e ainda não viu, neste sábado e domingo terão novas apresentações o às 20 e 19hs respectivamente.
Sobre Angenor de Oliveira, o Cartola
Dono de uma obra ímpar na música popular brasileira e tendo sido gravado por renomados artistas como, como Beth Carvalho, Clara Nunes, Ney Matogrosso, Clementina de Jesus, Nelson Gonsalves, Paulinho da Viola, entre outros. Antes de conhecido e respeitado como um dos grandes do Samba e da MPB ele teve que exercer outros ofícios para sobreviver, foi tipógrafo, contínuo do Ministério da Indústria e Comércio, gráfico e pedreiro. O hábito de usar chapéu para proteger a cabeça do cimento lhe rendeu o apelido: Cartola. Nascido a 11 de outubro de 1908, no bairro do Catete, no Rio de Janeiro, aos 11 anos, mudou-se com sua família para o morro da Mangueira e, aos 15 anos, junto com seu amigo e principal parceiro de composições, Carlos Cachaça, criou o bloco dos Arengueiros.
Em 28 de abril de 1928, fundou, ao lado de Saturnino Gonçalves, Marcelino José Claudino, Francisco Ribeiro e Pedro Caymmi, entre outros, o G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira, segunda escola de samba do Rio de Janeiro. Foi Cartola quem compôs o primeiro samba da escola, “Chega de Demanda”.
Em 1931, o compositor se tornou conhecido fora do morro por intermédio do cantor e compositor carioca Mário Reis, quando este foi à Mangueira para comprar músicas e voltou com os direitos de gravação do samba “Que Infeliz Sorte”, lançado em 1932, por Francisco Alves, que mais tarde se tornaria um de seus maiores intérpretes.
Em 1963 fundou o Zicartola, no Centro do Rio, com a ajuda de vozes que marcaram época. A casa de samba era comandada por Zica e Cartola e funcionou até 1965. Nos primeiros meses de existência do restaurante, servia-se somente as refeições, carinhosamente preparadas por Dona Zica. Os sambistas, no final do expediente, iam ao Zicartola provar boa comida e cantar um samba de primeira. Nesse clima favorável, o sambista Zé Keti teve a ideia de sugerir a realização de noitadas de sambas. Dona Zica, Euzébia Silva do Nascimento: integrante da velha guarda do Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira e a última mulher do sambista Cartola.
Considerado pela crítica especializada o maior sambista brasileiro de todos os tempos, em 2016 Cartola comemoraria 108 anos. Criar um espetáculo retratando sua vida e obra utilizando a linguagem musical é muito mais do que uma homenagem, é a realização de um dever, promovendo a obra que se fez um dos pilares do Patrimônio Cultural Nacional


