Por Caio Melo
@caiomelo
Durante muito tempo, o seguro de vida foi tratado no Brasil como um tema desconfortável — algo associado exclusivamente à morte e, por isso, evitado. Diferente do que acontece em países como Estados Unidos, Japão e China, onde mais de 90% da população economicamente ativa utiliza o seguro como instrumento estratégico de proteção e organização financeira. Nessas economias, o seguro de vida não é visto como custo. É visto como planejamento. É parte da construção patrimonial da família e da estrutura de continuidade das empresas. No Brasil, essa cultura ainda está em desenvolvimento. Porém, os números mostram uma transformação importante: o país está entre os que mais crescem no mundo na contratação de seguros de vida. Isso revela que empresários, profissionais liberais e chefes de família estão começando a enxergar além do senso comum. Estão entendendo que proteção é estratégia?
A proteção começa no primeiro dia
Quando um seguro de vida é contratado, a proteção não começa no futuro — ela começa imediatamente. A partir daquele momento, a família ou a empresa passa a contar com uma estrutura financeira preparada para lidar com situações adversas. Doenças graves, invalidez permanente ou afastamento da atividade produtiva por mais simples que possam ser, são eventos que, infelizmente, fazem parte da realidade. E o maior problema nesses momentos não é a ausência de patrimônio — é a falta de liquidez imediata. É comum encontrar famílias com imóveis, empresas com ativos, mas sem dinheiro disponível para manter compromissos, pagar despesas médicas ou reorganizar a vida financeira. O seguro atua exatamente nesse ponto: entrega recursos de forma rápida, evitando endividamento, venda precipitada de patrimônio ou desorganização financeira.
Reforma tributária e a questão da sucessão
O Brasil vive um momento de mudanças tributárias relevantes. O debate em torno do ITCMD — imposto sobre herança e doação — ganhou força, com tendência de elevação de alíquotas em diversos estados. Além disso, somam-se custos cartoriais, honorários advocatícios e a burocracia do inventário. Em uma situação de falecimento, o patrimônio pode existir, mas permanece indisponível até a conclusão do processo sucessório. E enquanto o processo corre, as despesas continuam. É aqui que o seguro de vida se mostra decisivo: por não integrar o inventário e por ser pago diretamente aos beneficiários, ele oferece liquidez imediata. Permite que a família pague impostos, organize a sucessão e mantenha estabilidade financeira sem comprometer o patrimônio construído ao longo de anos. Para o empresário, a situação é ainda mais sensível. A ausência de um sócio majoritário ou gestor estratégico pode gerar insegurança, conflitos societários e risco de paralisação das operações. Estruturas de proteção adequadas garantem recursos para reorganização societária, compra de quotas ou manutenção do fluxo de caixa.
Alavancagem patrimonial inteligente
Em países desenvolvidos, o seguro de vida é tratado como instrumento de alavancagem patrimonial. Com um investimento proporcionalmente acessível, é possível estruturar uma proteção que multiplica o capital disponível em caso de necessidade. É uma lógica simples: protege-se aquilo que gera renda.Se uma empresa protege seus equipamentos, sua frota e sua estrutura física, por que não proteger o capital humano e a renda que sustentam tudo isso? Na esfera familiar, a proteção garante continuidade de projetos, educação dos filhos, estabilidade do cônjuge e preservação do padrão de vida. Na esfera empresarial, assegura governança, previsibilidade e solidez.
A mudança cultural já começou
O mercado brasileiro está amadurecendo. Cada vez mais empresários e profissionais autônomos percebem que crescimento patrimonial sem proteção é vulnerabilidade. Seguro de vida não substitui investimentos, holdings ou outras estruturas jurídicas. Ele complementa. Ele cria liquidez. Ele antecipa recursos no momento mais crítico. Em um ambiente de maior complexidade tributária, instabilidade econômica e aumento da longevidade, planejar deixou de ser uma opção e passou a ser uma responsabilidade.
Conclusão
A discussão sobre seguro de vida no Brasil precisa ser ampliada. Não é apenas sobre proteção contra a morte. É sobre continuidade, estabilidade, organização patrimonial e responsabilidade com quem depende de você. Os países que compreenderam isso construíram culturas financeiras mais sólidas. O Brasil está avançando nessa direção. Em um cenário onde impostos tendem a crescer, burocracias se intensificam e o imprevisto continua sendo parte da vida, estruturar proteção não é pessimismo — é estratégia.
E estratégia, no longo prazo, é o que diferencia quem constrói patrimônio de quem apenas acumula riscos.
Caio Melo – Engenheiro Eletricista, pela UFPE , MBA em gestão de projetos-IPOG
Mais de uma década como executivo de grande grupo do setor de energia, especialista em gestão de riscos, sucessão empresarial e patrimonial, com atuação atual em multinacional do setor financeiro – Prudential ( 81994703845 / @caiomelo)



