Por Auxiliadora Paiva
Quando encontramos alguém que apresenta uma VARIAÇÃO DE HUMOR, imediatamente a nossa “consciência médica” kkk, logo diagnostica como BIPOLAR. Porém, essas pessoas não atentam, para verificar e perceber, que essa FLUTUAÇÃO DO HUMOR, é algo fisiológico, isso acontece, por que essa situação em grande parte, tem origens nas circunstâncias vivenciadas e experimentadas, pelos seres humanos, no decorrer da sua vida.
Porém, quando essa alternância é exagerada, gerando distúrbios patológicos, entre eles a DEPRESSÃO e a EUFORIA EXACERBADA, aí sim, estamos diante de um processo desafiador e de suma importância, para determinadas pessoas. Esse é o panorama denominado hoje pela Ciência, como TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR ou TAB. Antes essa sintomatologia era conhecida como PSICOSE MANÍACO DEPRESSIVA.
A sociedade mundial, ainda insiste inadvertidamente, em rotular as pessoas que apresentam essa VARIAÇÃO DE HUMOR, como PESSOAS BIPOLARES. Esquecem eles, que uma variação desse quilate, pode ter sido influenciada por situações diversas, que vão desde: ALTERAÇÕES HORMONAIS; TÉRMINO DE UM RELACIONAMENTO AFETIVO; USO DE SUBST NCIAS PSICOTROPICAS; PERDA DE UM ENTE QUERIDO e de UM EMPREGO. Ou seja, tudo aquilo que vier a “mexer” com a vida de determinadas pessoas, poderá influenciar grandemente, em seu HUMOR.
Como poderemos identificar o fenômeno da BIPOLARIDADE, em ação sobre determinada pessoa? Um dos primeiros sinais a serem observados, são as famosas ALTERAÇÕES DO SONO. Isto porque na fase da EUFORIA, pode haver o aparecimento da INSÔNIA, por conta da excitação hormonal. Enquanto que na fase DEPRESSIVA, poderemos vislumbrar a HIPERSONIA, que é a sonolência exagerada, isso por conta do estado de prostração e apatia.
Porém, não são apenas as alterações do Sono que devem ser observados. Também podemos perceber essas ALTERAÇÕES, NA FALA. As pessoas acometidas por esse TRANSTORNO PSIQUIÁTRICO, em muita das vezes, apresentam esses distúrbios, havendo uma diminuição ou aumento no fluxo da fala.
A família também é um elemento fundamental, durante todo o processo de ação sobre o TAB. É ela que dará toda a sustentação emocional, para aquele que momentaneamente apresenta esses sintomas. Essa família terá grande participação nesse quadro, isso por que, será ela a mola propulsora para que aos primeiros sinais, da patologia em instalação, busque a ajuda terapêutica indicada, ao caso em pauta. Com esse posicionamento, a família estará contribuindo, para que o estado emocional do seu ente querido, seja abrandado e acima de tudo, seja preenchido com o carinho e atenção, que o quadro clínico requer.
No dia 30 de Março, sempre é comemorado o DIA MUNDIAL DO TRANSTORNO BIPOLAR. Essa data foi escolhida, como uma homenagem ao pintor holandês VINCENT VAN GOGH. Ele foi diagnosticado, como possível portador do TAB, após a sua morte. Estima a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar – ABTB, que existem cerca de 15 milhões de brasileiros, portadores desse quadro psicopatológico. Por ser um transtorno que requer bastante atenção, principalmente do circulo familiar, vale ressaltar que esses quadros, nem sempre se apresentam de forma repentina.
Existem casos que são detalhados pela Ciência, que nos informam a existência de pessoas, que levaram aproximadamente 10 anos, para serem diagnosticados como portadores da TAB. A Psicologia e a Psiquiatria, são dois ramos da Ciência, que necessitam estarem aliados, para o tratamento eficaz dessa patologia. É preciso associar a Psicoterapia, com o uso de medicações que viabilizam a estabilidade do Humor.
Mesmo sendo considerada uma doença SEM CURA, existem tratamentos e controle desses sintomas, desde que sejam utilizados por profissionais devidamente habilitados. Com o tratamento correto, um portador do TAB, pode levar uma vida normal, sem a incidência das crises. O TRANSTORNO BIPOLAR representa um desafio significativo para todos os portadores, para os seus familiares, assim como também para os profissionais das áreas envolvidas. A sua causa exata ainda é desconhecida. Porém estudos revelam, que ela está associada a algumas alterações cerebrais e dos níveis dos neurotransmissores, a exemplo da Noradrenalina e Serotonina.
Muito embora a aceitação do TRANSTORNO BIPOLAR seja crescente e gradual, em várias partes do planeta, infelizmente o ESTIGMA, associado a ele ainda é uma realidade. Esse ESTIGMA, se transforma em uma grande barreira, que impede um diagnóstico precoce e um tratamento eficaz da patologia. Como afirmou o grande líder negro MARTIN LUTHER KING, que possuía um filho portador do TAB, “espero que um dia, as pessoas acometidas por essa síndrome, não sejam julgadas pela sua doença, mas sim pelo conteúdo de seu caráter”. Pense nisso.
Namastê.
Referências:
Texto: www.focomagazine.com.br
www.atarde.uol.com.br
Imagem: www.ipan.med.br



